Colômbia conclui negociação de acordo militar com EUA

O governo da Colômbia anunciou a conclusão da negociação com os Estados Unidos de um acordo militar criticado pelos governos do Equador e Venezuela, aos quais o mandatario colombiano Álvaro Uribe fez um convite de conciliação para recompor as relações.

AFP |

O ministério das Relações Exteriores informou informou em Bogotá que a conclusão de um acordo de "Cooperação e Assistência Técnica em Defesa e Segurança" com os Estados Unidos, o que permitirá a Washington utilizar bases militares na Colômbia.

"Este acordo reafirma o compromisso das partes na luta contra o narcotráfico e o terrorismo. O texto acertado passará agora por uma revisão técnica pelas instâncias governamentais de cada país, para sua posterior assinatura". afirma um comunicado oficial.

O comandante das Forças Armadas da Colômbia, general Freddy Padilla, havia informado, na semana passada, que o acordo prevê a utilização de sete bases militares no território colombiano por tropas americanas, visando operações contra o narcotráfico e o terrorismo.

Bogotá e Washington começaram a negociar o acordo depois que o presidente do Equador, Rafael Correa, decidiu acabar com a base militar antidrogas que os Estados Unidos tinham em Manta.

O anúncio da negociação do acordo gerou uma viva rejeição por parte dos presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Equador, Rafael Correa, enquanto outros líderes regionais, como Luiz Inácio Lula da Silva, pediram explicações ao governo em Bogotá.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, participará da Cúpula extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), prevista para o próximo dia 28 de agosto, na cidade argentina de Bariloche, para esclarecer o acordo.

Na sexta-feira, Uribe garantiu que o acordo militar com os Estados Unidos é para "derrotar o terrorismo" e destacou que constitui uma "garantia" para os vizinhos da Colômbia", durante um ato público na cidade de Medellín.

Uribe destacou seu desejo de "recompor" as relações com Venezuela e Equador e afirmou que "a derrota dos terroristas será uma garantia para nossos vizinhos, nossos irmãos" sul-americanos.

"Este acordo com os Estados Unidos precisa ser entendido como um acordo com a Colômbia que vai se projetar sobre todo o continente", depois de recordar que já pediu desculpas ao Equador pela incursão militar contra um acampamento da guerrilha das Farc em território equatoriano.

"Este tema de nossa incursão na selva equatoriana neste bombardeio contra (o comandante guerrilheiro Raúl) Reyes, eu lhes peço perdão por isto, já falamos (ano passado) na República Dominicana (durante a reunião de cúpula do Grupo do Rio)", declarou.

Na ação militar, além de Reyes - segundo comandante das Farc -, morreram outras 24 pessoas, incluindo um equatoriano e quatro mexicanos.

"Eu acredito que pode existir um diálogo com o Equador sobre todos estes temas e resolvê-los no futuro. A nós o que interessa é o futuro. E o mesmo com a Venezuela", completou Uribe em tom conciliador.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, aceitou neste sábado o pedido de desculpas do governo colombiano e defendeu um diálogo condicionado para retomar as relações diplomáticas bilaterais, suspensas desde março de 2008 justamente pela ação militar contra as Farc no Equador.

"O presidente Uribe pediu perdão novamente, nós aceitamos", afirmou Correa. No entanto, o chefe de Estado equatoriano reiterou as exigências para retomar o diálogo, que incluem o fim das denúncias vinculando seu governo às Farc.

Ao mesmo tempo, usou de ironia para comentar o acordo Colômbia-EUA. Correa disse que o mesmo afeta toda a região e completou: "Oxalá a Colômbia não tenha que pedir perdão à América do Sul".

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, congelou as relações com a Colômbia em 28 de julho, depois que Bogotá anunciou ter encontrado armamento venezuelano nas mãos de guerrilheiros das Farc.

pro/fp

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