Colômbia cogita enviar tropas ao Afeganistão

O governo da Colômbia estuda a possibilidade de enviar soldados ao Afeganistão para se incorporarem às operações militares comandadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que atua no país asiático desde 2003. Se isso for confirmado, a Colômbia, principal aliado dos Estados Unidos na América Latina, poderá se tornar o primeiro país da região a colaborar com as tropas no Afeganistão.

BBC Brasil |

As Forças Armadas colombianas afirmam que um grupo de militares de alta patente viajou nesta quarta-feira ao Afeganistão para "estudar" a situação e que seus efetivos poderiam atuar juntamente com o contingente do governo espanhol.

"Estamos estudando a possibilidade de incorporar as forças militares da Colômbia como unidades da Otan", afirmou o comandante das Forças Armadas, o general Freddy Padilla de León, de acordo com o jornal El Espectador.

"Existe a possibilidade de que esta (missão) se faça sob a bandeira do governo da Espanha", disse.

Autoridades colombianas afirmam que seus militares atuariam em batalhões especializados para a desativação de minas. Já o jornal espanhol El País disse que os soldados colombianos seriam incorporados às operações de combate às milícias do Talebã.

Missões de paz

O ministro de Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse acreditar que seu país - que está submerso em uma guerra civil de mais de 50 anos - pode colaborar com "missões de paz no mundo".

"Acreditamos que é preciso começar a pensar em um cenário pós-conflito (na Colômbia) e no papel que as tropas colombianas podem ter em missões de paz no mundo", disse Santos nesta quinta-feira.

Se for concretizada a cooperação, as tropas poderiam ser enviadas ao Afeganistão no início de 2009, de acordo com os militares colombianos.

A polícia colombiana já treina a efetivos militares afegãos no combate ao narcotráfico em uma base militar localizada no Estado colombiano de Tolima.

Para Marcelo Rech, editor do site Inforel, especializado em assuntos de defesa, as negociações mostram o "quão estreitas" são as relações dos governos da Colômbia e dos Estados Unidos.

"O governo colombiano não colocaria tropas em um país onde não há nenhum interesse cultural ou econômico direto se não fosse pela relação que mantém com os Estados Unidos", afirmou à BBC Brasil.

"Isso dá a dimensão do quão estreitas e fortalecidas estão essas relações", disse Rech.

Os Estados Unidos financiam desde 2000 o Plano Colômbia, para combater o narcotráfico, e auxiliaram o governo colombiano com informações de inteligência e aviões de espionagem durante a "Operação Xeque", que resgatou 15 reféns que estavam em poder do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt.

Conselho de Defesa

Na avaliação de Expedito Carlos Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), esta aliança militar com a Otan contraria o projeto do Conselho Sul-americano de Defesa, encabeçado pelo Brasil.

"Enquanto Brasil, Argentina e outros países pretendem se afastar dos Estados Unidos, formando seu próprio Conselho, a Colômbia caminha para o lado oposto", afirmou Bastos à BBC Brasil.

O Afeganistão foi ocupado em 2001 por uma coalizão de tropas liderada pelos Estados Unidos, que derrubaram o governo comandando pela milícia Talebã, no marco da campanha de "combate ao terrorismo".

Em 2003, a Otan passou a operar no país.

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