Colômbia: centenas de milhares de manifestantes pedem a libertação dos reféns

Centenas de milhares de colombianos foram às ruas neste domingo, dia de sua festa nacional, para exigir a libertação de 3.000 compatriotas mantidos como reféns, seguidos de manifestações de apoio em todo o mundo.

AFP |

Foram registradas passeatas em mais de mil cidades colombianas e em 80 grandes metrópoles do mundo, entre elas Paris, onde um concerto foi organizado diante da Torre Eiffel na presença de Ingrid Betancourt, ex-refém franco-colombiana.

Entre 350 e 700 pessoas estariam em mãos da guerrilha das Forças armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), segundo diferentes estimativas. Mais de 2.000 estariam retidas pelo Exército de Libertação Nacional (ELN), por grupos paramilitaires (milícias de extrema direita) ou por gangues de mafiosos.

Só na Colômbia teriam sido mobilizados quatro milhões de manifestantes de diferentes tendências políticas, tanto de direita quanto de esquerda.

Na capital, Bogotá, foram tomadas medidas de segurança excepcionais, com mais de 30.000 policiais mobilizados.

Os jogadores de futebol colombianos da primeira divisão que disputavam domingo o campeonato interromperam simbolicamente a partida durante um minuto para exigir a libertação dos reféns.

Uma cerimônia oficial foi registrada em Leticia, uma cidade amazônica na fronteira com Peru e Brasil, com um desfile militar de comemoração da independência da Colômbia, que foi colônia espanhola até 1810.

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Peru, Alan García, se somaram ao clamor.

"Só uma palavra. De um poeta brasileiro que uma vez escreveu uma frase muito bonita sobre a liberdade. Ele gritava: 'liberdade, liberdade nos abrace, liberdade, liberdade nos abrace, liberdade, liberdade para todos", disse Lula em português.

Domingo, o novo ministro colombiano do Interior e Justiça Fabio Valencia fez às Farc "um apelo ao diálogo, à reconciliação e à paz" porque, disse, "os colombianos não querem mais a violência e as tomadas de reféns".

Olga Lucia Gomez, diretora da fundação "País Livre", de apoio às vítimas de seqüestros, declarou à AFP que as manifestações visavam "não apenas a libertação dos reféns da guerrilha, mas de todas as pessoas seqüestradas quaisquer que sejam seus captores".

Manifestações de apoio foram realizadas paralelamente em 26 cidades da América Latina, 20 da Europa, seis da Ásia, em 27 cidades americanas e quatro canadenses.

Em Washington, cerca de mil pessoas se concentraram neste domingo em Washington, diante da Casa Branca.

Em Paris, entoando o hino nacional da Colômbia, ao lado dos cantores Juanes e Miguel Bosé, a ex-refém Ingrid Betancourt abriu à tarde um grande show em favor dos reféns ainda mantidos em poder de grupos armados na selva colombiana. "Bom dia Colômbia", disse Betancourt ao começar seu discurso pronunciado em espanhol diante de mais de oito mil pessoas, entre as quais um grande número de colombianos, em um palco no qual eram exibidos os retratos de dezenas de pessoas que ainda estão em poder da guerrilha das Farc.

Betancourt se referiu em particular à festa nacional da Colômbia, que é celebrada neste domingo, e ao significado do local onde foi realizado o show, os jardins de Trocadero, junto ao qual "há 60 anos foi assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos", lembrou.

Depois, a franco-colombiana libertada pelas Farc no dia 2 de julho, pediu aos participantes que atuem pela paz e pela liberdade na Colômbia, e enviou uma mensagem ao líder da guerrilha, Alfonso Cano.

"Chega de seqüestros, chega de seqüestros", disse.

O prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoe, agradeceu a presença e a mobilização dos parisienses pela libertação de Ingrid Betancourt e lembrou que "o dever dos franceses é continuar lutando pela libertação de todos os reféns na Colômbia".

Madri celebrou a festa nacional colombiana desde sábado, com milhares de pessoas na Plaza Mayor - uma praça central da capital espanhola.

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