Colômbia busca no Brasil helicópteros para reféns das Farc

Comissão humanitária saiu do país em direção à fronteira neste sábado

EFE |

Uma comissão humanitária formada por dois delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e quatro representantes do coletivo Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP) viajaram neste sábado ao Brasil para buscar os dois helicópteros que serão usados na operação de libertação de dez policiais e militares na próxima segunda-feira.

Entenda: Governo colombiano fará operação para libertar reféns das Farc

A porta-voz do CICV, María Cristina Rivera, confirmou à Agência Efe a saída do avião oficial do governo da Colômbia rumo ao município de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, a cerca de 100 quilômetros da fronteira. A comissão humanitária é formada pelos delegados do CICV, a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, a presidente de uma associação de familiares de uniformizados sequestrados, Marleny Orjuela, e as legisladoras Gloria Quartas e Gloria Ramírez.

Segundo o CICV, o grupo passará o resto do dia no município brasileiro, onde se certificarão que os emblemas da Cruz Vermelha estão bem impressos nas aeronaves. Os helicópteros brasileiros, dois Cougar 532UE, devem estar identificados como aeronaves envolvidas em uma operação humanitária. A missão e a tripulação dos helicópteros, que segundo disse Piedad na sexta-feira é a mesma das três operações de libertação anteriores, partirá no domingo para a cidade colombiana de Villavicencio, no centro do país, um conhecido cenário de processos de entrega de reféns.

Esta é a quarta operação de libertação da qual participa o governo brasileiro, em colaboração com o CCP, o CICV e o Executivo colombiano. Nesta ocasião, um grupo de mulheres de renome internacional como a neta do revolucionário mexicano Emiliano Zapata, Margarita Zapata; a presidente do Conselho Mundial pela Paz, a brasileira Socorro Gomes, e a esposa do ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, Xiomara Castro, testemunharão o processo.

Grande parte das mulheres já chegou a Bogotá, onde deram uma entrevista coletiva conjunta com Piedad Córdoba e membros do CCP na qual manifestaram sua intenção de receber os seis policiais e os quatro militares com um abraço. Nesta coletiva, Piedad lamentou que o governo da Colômbia também não tenha autorizado Socorro Gomes para ir ao Brasil.

O Executivo colombiano restringiu a participação na operação, o que também impediu a presença da vencedora do prêmio Nobel da Paz de 1992, a guatemalteca Rigoberta Menchú, e do vice-presidente equatoriano Lenin Moreno, como era o desejo de Piedad. No entanto, a presença de Menchú está assegurada, mesmo que como testemunha ao lado das demais mulheres, pois a previsão é que chegue a Bogotá nas próximas horas, onde dormirá antes de partir no domingo para Villavicencio.

Segundo o cronograma divulgado ontem por Piedad Córdoba, na segunda-feira sairá o primeiro voo para devolver a liberdade ao primeiro grupo de seis policiais e quatro militares que as Farc entregarão à missão humanitária em algum ponto das selvas colombianas.

Na terça-feira, os participantes descansarão, para iniciar o processo novamente no dia seguinte, quando, se as condições meteorológicas permitirem, os dez sequestrados já estarão com suas famílias. Os sequestrados que a guerrilha colombiana se comprometeu a libertar são os militares Luis Alfonso Beltrán Franco, Luis Arturo Arcia, Robinson Salcedo Guarín e Luis Alfredo Moreno Chagüeza. Com eles, também deverão readquirir a liberdade os policiais Carlos José Duarte, César Augusto Lasso Monsalve, Jorge Trujillo Solarte, Jorge Humberto Romero, José Libardo Forero e Wilson Rojas Medina, todos sequestrados entre 1998 e 1999.

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