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Colômbia ativa plano B para reeleição de Uribe

Congressistas da Colômbia apresentaram nesta quarta-feira um projeto de reforma constitucional considerado como um plano B para permitir ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, candidatar-se a uma segunda reeleição, caso a proposta de referendo para aprovar o tema não seja aprovado pelo Parlamento.

BBC Brasil |

O projeto de referendo que tramita no Congresso corre o risco de ser barrado devido à denúncias de irregularidades no financiamento da campanha que promoveu esta proposta.

A reforma da Constituição apresentada por parte da bancada uribista começará a tramitar na quinta-feira. O projeto prevê a modificação de cinco artigos, entre eles o que estabelece que "ninguém poderá ser eleito para ocupar a Presidência da República por mais de três períodos consecutivos".

Se a iniciativa for aprovada, será a segunda reforma realizada no mesmo artigo da Constituição sob o governo Uribe. A primeira mudança ocorreu em 2004, para permitir que o mandatário colombiano concorresse a uma primeira reeleição presidencial em 2006.

Popularidade

O vice-presidente do partido Conservador, Alirio Villamizar, disse em uma reunião com congressistas que o referendo não deve ser aprovado, razão pela qual a reforma é um "salva-vidas", segundo a imprensa local.

O senador Jorge Visbal, do partido da Unidade Nacional, afirmou que o projeto de reforma pretende "habilitar" Uribe para concorrer as eleições de 2010.

"Essa é uma preocupação nossa e do povo colombiano, que quer ver o presidente eleito em 2010", afirmou Visbal, um dos promotores da reforma, à uma rádio local.

Pesquisas de intenção de voto realizadas recentemente indicam que o presidente colombiano pode ser reeleito com facilidade.

Poderes

O projeto de reforma também propõe a modificação de artigos que tratam do sistema de "equilíbrios e contrapeso" com os quais os parlamentares pretendem mudar as regras para a eleição de membros do poder Judiciário, do Ministério Público e do Banco Central.

Para poder ser aplicada nas próximas eleições, porém, a reforma constitucional deve passar por oito debates, seguidos de aprovação no Parlamento, antes do final do ano, para logo depois ser levada à Corte Constitucional.

Ainda assim, para um grupo do uribismo, esse é o caminho mais curto para facilitar a segunda reeleição do mandatário colombiano.

Até o final da tarde desta terça-feira o projeto do referendo estava paralisado no Senado. As denúncias de supostas irregularidades no financiamento da campanha dividiu os senadores da base governista, levando parte deste grupo a negar-se em votar a proposta.

Há duas semanas, um dos principais acusados no escândalo de fraude das pirâmides financeiras na Colômbia afirmou ter doado US$ 2 milhões para a campanha de coleta de assinaturas para o projeto de referendo.

A denúncia está sob investigação. A controladoria pública da Colômbia afirmou que se forem comprovadas irregularidades na campanha, o referendo não poderá ser realizado.

Caso contrário, o projeto ainda deverá ser submetido a duas votações no Senado. Se passar pelo voto dos parlamentares, será encaminhado à Corte Constitucional e, se aprovado, será levado às urnas.

Álvaro Uribe, eleito em 2002 e reeleito em 2006, ainda não anunciou se está disposto a se submeter a um terceiro mandato presidencial.


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