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Colômbia apresentará queixa na OEA contra interferência de Chávez

O governo da Colômbia anunciou que apresentará uma queixa formal contra a Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, de interferência nos assuntos internos colombianos. Segundo o embaixador da Colômbia na OEA, Luis Alfonso Hoyos, o governo colombiano repelirá todas as ações do projeto expansionista de Chávez.

BBC Brasil |

No domingo, em seu programa semanal de rádio e televisão "Alô, Presidente", Chávez indicou que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quer impedir que "o chavismo chegue à Colômbia".

"A burguesia colombiana tem medo de que a voz de Chávez seja ouvida pelo povo da Colômbia", disse o presidente, que admitiu ainda simpatizar com o partido de oposição colombiano Pólo Democrático Alternativo (PDA).

Chávez fez também um pedido à ministra de Informação venezuelana, Blanca Eckhout, para que ela "faça tudo o que for necessário" para que suas mensagens e reivindicações sejam conhecidas pelo povo colombiano.

Em entrevista ao jornal colombiano El Tiempo, Hoyos classificou o discurso de Chávez como "insultante e grosseiro" e disse que as declarações falam de "uma intervenção aberta na política da Colômbia".

Na segunda-feira, a Procuradoria da Colômbia emitiu um comunicado afirmando que "de nenhuma forma se pode tolerar o insulto aos colombianos do bem". A reclamação formal deve ser encaminhada à OEA nesta quarta-feira.

Crise
Segundo o correspondente da BBC em Medelín Jeremy McDermott, o anúncio sobre a reclamação formal contra o líder venezuelano "agrava ainda mais as relações já congeladas entre os dois países".

A Venezuela congelou as relações comerciais e diplomáticas com a Colômbia após o anúncio, pelo governo colombiano, de um acordo militar que pode permitir aos Estados Unidos a utilização de sete bases militares na Colômbia. Chávez considera a instalação das bases como uma "ameaça à paz regional" e a seu governo.

Na ocasião, o governo da Venezuela anunciou um plano de substituição de importações colombianas.

Segundo McDermott, a Colômbia é grande perdedora do impasse diplomático com a Venezuela, já que o bloqueio às importações está custando milhões de dólares às empresas do país.

O ex-senador colombiano Rodrigo Rivera, líder político próximo do presidente Uribe disse à BBC Mundo que os colombianos não estão interferindo nos assuntos internos da Venezuela e que o país deve, portanto, "respeitar a soberania da Colômbia".

De acordo com a especialista em Relações Internacionais da Universidade dos Andes, a professora Sandra Borda, o apoio de Chávez ao partido oposicionista colombiano e o impacto da crise entre Caracas e Bogotá na esfera doméstica da Colômbia é "extremamente preocupante".

"Isso equivale a desqualificar a oposição e alimenta a crença de que aqueles que se opõem a Uribe são guerrilheiros e amigos de Chávez", disse Borda à BBC Mundo.

A especialista ressalta ainda que não se deve "demonizar" os esforços daqueles que não fazem parte do governo, como o PDA, quando buscam manter os laços com a Venezuela, o segundo parceiro comercial mais importante da Colômbia.

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