Colômbia anuncia ter concluído negociação com EUA sobre acordo militar

O ministério das Relações Exteriores da Colômbia anunciou, nesta sexta-feira, que encerrou as negociações e fechou os detalhes do polêmico acordo cooperação militar com os Estados Unidos. O governo da Colômbia se permite informar que no dia de hoje se encerraram as negociações do acordo em Matéria de Cooperação e Assitência Técnica em Defesa e Segurança entre os governo da Colômbia e dos Estados Unidos, diz um comunicado publicado no site do Ministério.

BBC Brasil |

O governo informou ainda que o texto do acordo passará agora por uma revisão pelas instâncias governamentais de cada país para depois ser assinado.

A assinatura do acordo está prevista para este domingo, 16 de agosto.

O acordo militar poderá transformar o país latino-americano no reduto das operações militares americanas na América do Sul. O acordo prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia.

Polêmica
Vários países sul-americanos condenaram o acordo. Preocupados, os presidentes da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) quebraram o protocolo e discutiram abertamente durante a cúpula do grupo nesta semana, em Quito, o que alguns classificaram como a "ameaça" representada pela presença de efetivos militares americanos na região.

Após uma sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os líderes também concordaram com a realização de uma reunião emergencial com a presença do governo dos Estados Unidos para discutir a questão.

Em um discurso enfático, que não estava previsto na programação do encontro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que "ventos de guerra sopram na região" e que, se sofrer algum tipo de agressão, seu governo responderá de forma "militar e contundente".

Chávez e o presidente da Bolívia, Evo Morales alertaram que a presença americana na Colômbia poderia gerar um conflito militar.

A Venezuela rompeu ligações diplomáticas com a Colômbia e disse que a única forma de reatá-las seria se o país desistisse do acordo militar com os Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as bases "não agradam" o governo brasileiro, mas adotou um discurso apaziguador e sugeriu que o assunto seja discutido "abertamente", inclusive com os Estados Unidos. Segundo Lula, a questão tem que ser resolvida com "muita conversa".

Na última quinta-feira, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, encerrou um giro por sete países da América do Sul, inclusive o Brasil, em que apresentou aos colegas presidentes seu ponto-de-vista sobre o acordo militar com os Estados Unidos.

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