Colômbia ameaça reclamar contra Venezuela na ONU e na OEA

O governo da Colômbia ameaçou levar à Organização de Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU) uma reclamação contra a Venezuela, após o presidente venezuelano Hugo Chávez ter orientado militares e civis a se prepararem para uma guerra.

BBC Brasil |


"Diante dessas ameaças de guerra pronunciadas pelo governo da Venezuela, o governo da Colômbia se propõe a ir à OEA e ao Conselho de Segurança da ONU", disse um comunicado lido na noite de domingo pelo porta-voz do presidente Álvaro Uribe, César Velásquez.

Ainda no comunicado, em alusão à reação de Chávez ao acordo militar firmado com os Estados Unidos, que permitirá aos militares americanos utilizar sete bases militares na Colômbia, o governo colombiano disse que não fará "nenhum gesto" contra os países vizinhos.

"A Colômbia não fez e nem fará nenhum gesto de guerra contra a comunidade internacional, menos ainda contra países irmãos, e o único interesse que nos move é a superação do narcoterrorismo, que durante tantos anos maltratou os colombianos", afirmou o comunicado.

Discurso de Chávez

No domingo, Chávez disse que as Forças Armadas venezuelanas e a população civil deveriam se "preparar para uma guerra" para garantir a paz. "Senhores oficiais, a melhor forma de evitar a guerra é se preparando para ela", afirmou Chávez, durante o programa dominical de rádio e TV Alô Presidente.

"Não percam tempo em cumprir com o dever de nos prepararmos para a guerra e ajudar o povo a se preparar para a guerra, porque é uma responsabilidade de todos", disse.

"Senhor comandante da guarnição militar, batalhões da milícia, treinemos. Estudantes revolucionários, trabalhadores, mulheres: todos prontos para defender esta terra sagrada chamada Venezuela", acrescentou.

O presidente venezuelano se opõe ao acordo firmado no final de outubro entre a Colômbia e os Estados Unidos por considerá-lo uma "ameaça à revolução" venezuelana e à América do Sul.

Chávez afirmou que o pacto militar anexa a Colômbia aos Estados Unidos e se declarou "pronto" para enfrentar qualquer "agressão".

"Não se equivoque, senhor presidente Obama, e (não) ordene uma agressão aberta contra a Venezuela utilizando a Colômbia", disse. "Nós estamos dispostos a tudo. A Venezuela nunca mais voltará a ser colônia ianque, nem colônia de ninguém."

Tensão na fronteira

Para o governo venezuelano, a presença cada vez mais frequente de conflitos na fronteira com a Colômbia e a presença de paramilitares colombianos em território venezuelano não é casual.

O chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, disse na semana passada que a tensão na linha fronteiriça é parte de uma "estratégia" coordenada entre os governos colombiano e americano para "desestabilizar" a Venezuela.

A tensão na fronteira entre Colômbia e Venezuela se aprofundou há uma semana, quando dois militares venezuelanos foram assassinados no Estado fronteiriço de Táchira por supostos paramilitares.

Depois do incidente, a presença militar venezuelana foi reforçada, com o deslocamento de 15 mil militares às fronteiras com a Colômbia e o Brasil, sob o argumento de intensificar as operações contra o narcotráfico e a extração ilegal de minérios.

Antes do assassinato dos militares, há duas semanas, dez pessoas sequestradas foram encontradas mortas também no Estado de Táchira. O governo venezuelano disse, na ocasião, que as vítimas eram "paramilitares colombianos em treinamento" na Venezuela.

Neste mesmo período, dois agentes do serviço de inteligência colombiano foram presos na Venezuela acusados de espionagem - alegação que o governo colombiano nega.


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