Colômbia afasta militares por violação de direitos humanos

Bogotá, 29 out (EFE).- O Governo colombiano afastou hoje três generais e outros 24 oficiais e suboficiais de unidades militares envolvidas em uma série de desaparecimentos de civis que foram assassinados e declarados mortos em combate.

EFE |

Este é o maior incidente do tipo na história recente das Forças Armadas colombianas, no qual na última década, durante o Governo de Ernesto Samper (1994-1998), foram destituídos dezenas de soldados ligados a paramilitares.

"Não podemos permitir que se confunda a eficácia na luta contra os delinqüentes com a covardia para enfrentar os delinqüentes, e a distorção de eficácia assassinando vítimas inocentes", afirmou o presidente Álvaro Uribe na sede do Executivo em Bogotá.

O chefe de Estado apareceu diante da imprensa junto com o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e o comandante das Forças Militares, o general Freddy Padilla de León, para anunciar "drásticas decisões" administrativas sobre os envolvidos.

As medidas foram baseadas nas conclusões de uma investigação sobre o desaparecimento, no início deste ano, de alguns jovens de Soacha, localidade ao sul da capital colombiana, e o posterior encontro de seus restos mortais.

Todos foram registrados como "mortos em combate" nos cemitérios do nordeste do país nos quais foram sepultados, conforme as investigações judiciais.

Um comitê conformado em de 3 de outubro pelo general Padilla assumiu as investigações do caso, que no último domingo entregou seus resultados.

O titular da Defesa disse que este processo administrativo é um dos vários que derivaram ou derivarão do caso, que na parte penal compete à promotoria e no disciplinar à procuradoria.

"A comissão opinou que pode haver integrantes das Forças Armadas envolvidos em assassinatos, e que há falhas em procedimentos, em protocolos, em vigilância", afirmou Uribe.

Ele disse que também que em algumas instâncias do Exército "houve negligência e falta de cuidado nos procedimentos que têm que ser observados" nas ações militares.

É uma situação, denunciou depois, que "permitiu que algumas pessoas pudessem estar incursas em crimes, resultado da confabulação entre delinqüentes e integrantes do Exército".

Segundo Uribe, são crimes que em algumas regiões "têm por interesse assassinar inocentes para dar a sensação de que naquele local está havendo um enfrentamento contra os criminosos, quando os verdadeiros criminosos são os associados com o Exército para cometer tais delitos".

O chefe do Estado fez alusão a Norte de Santander (departamento da fronteira nordeste com a Venezuela), que acolhe as unidades militares da expulsão em massa, que a princípio se informou que chegava a 25 soldados.

O grupo de removidos são liderados pelo major general Roberto Pico Hernández e os brigadeiros José Joaquín Cortés e Paulino Coronado, comandantes da 7ª e a 2ª Divisão do Exército Nacional, e a Brigada XXX. Os três tinham de 33 a 36 anos de trajetória militar.

Depois deles, estão outros 17 oficiais - quatro coronéis, sete tenentes-coronéis, quatro majores, um capitão e um tenente -, além de sete suboficiais - três sargentos vice-primeiros, três segundos-sargentos e um cabo.

Alguns foram chamados para qualificar serviços, como se conhece no país a passagem para a aposentadoria, e outros separados discretamente, destituídos pelo poder que os superiores têm de fazê-lo sem oferecer explicações.

Os "falsos positivos" é o nome dado aos casos como o dos desaparecidos de Soacha, que são de execuções extrajudiciais.

No país, foram apresentadas 535 execuções deste tipo de 1 de janeiro de 2007 a 1 de julho de 2008, segundo uma missão de estudo formada por juristas de oito países da América e da Europa que se ocupou deste problema na Colômbia. EFE jgh/rb/plc

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