Colégios eleitorais do Nepal foram abertos para as votações

Katmandu, 10 abr (EFE).- Um total de 17,6 milhões de nepaleses forão convocados hoje às urnas, que abriram às 07h00 locais (22h15 de Brasília), para escolher os membros de sua Assembléia Constituinte.

EFE |

Os colégios eleitorais estarão abertos até as 17h00 locais (08h15 de Brasília) para este pleito, o primeiro realizado desde 1999 e o quarto desde que se implantou a democracia pluripartidarista, em 1990.

Os eleitores escolherão entre quase 9.950 candidatos, dos quais seis mil concorrem pelas listas de 54 partidos para ocupar as 335 cadeiras que serão decididas por um sistema proporcional.

Do total de 601 membros da Assembléia, outros 240 serão escolhidos pelo sistema majoritário, pelo que concorrem outros 3.947 candidatos de 55 partidos, e os 26 restantes serão designados pelo Gabinete, segundo dados da Comissão Eleitoral.

Os principais adversários são o Partido do Congresso, o mais antigo do país, liderado pelo primeiro-ministro, Girija Prasad Koirala, junto aos partidos comunistas de orientação marxista-leninista e maoísta.

O Governo de Koirala, no qual participavam os marxistas-leninistas, assinou a paz em novembro de 2006 com a guerrilha maoísta.

Essas eleições são fruto desse acordo, que prevê que a Constituinte ratifique, em sua primeira sessão, a abolição da Monarquia nepalesa, após quase 240 anos. A Assembléia servirá, além disso, como Parlamento para um período de transição.

Defende a causa do rei Gyanendra o Partido Nacional Democrático, que junto a outros grupos menores reivindica um plebiscito sobre a Monarquia.

Outra força que se somou à arena política são os representantes da importante minoria "madheshi" da região de planícies do sul - que difere geograficamente da maioria do país, que é montanhoso - onde alguns grupos armados convocaram um boicote às eleições.

As eleições foram precedidas de uma campanha com constantes episódios de violência política, étnica e religiosa, que registrou 20 mortos, a metade deles na véspera do pleito, sendo que dois dos falecidos eram candidatos.

Os nepaleses terão 20.888 sedes em 9.821 localidades para votar, algumas delas em zonas quase inacessíveis de alta montanha.

Em torno de 800 observadores de 28 organismos internacionais vigiarão o desenvolvimento do processo eleitoral, dos quais 120 pertencem à União Européia - o grupo mais numeroso - e outros 60 ao Centro Carter, dirigido pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, presente estes dias no Nepal.

Os observadores da UE, de 22 países diferentes, pretendem cobrir 62 dos 75 distritos do país e têm duas equipes móveis para visitar os colégios mais remotos, informou a missão européia.

Junto aos observadores internacionais, a Comissão Eleitoral credenciou 148 organismos nacionais para a vigilância do pleito.

O presidente da Comissão, Bhoj Raj Pokharel, em sua última entrevista coletiva apenas onze horas antes de começar a votação, assegurou que estava tudo preparado para a realização de eleições "livres e justas" e anunciou os primeiros resultados para amanhã, mas disse que será preciso esperar dez dias para saber que partido obteve a maioria da Assembléia. EFE ja-ms/fb

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