Londres, 14 mar (EFE).- A pequena ilha de Portland, no sul da Inglaterra, viveu esta semana momentos de pânico quando muitos de seus 13 mil habitantes pensaram que um acidente nuclear havia ocorrido no porto, que às vezes serve de parada para submarinos de propulsão atômica.

A confusão foi consequência de uma infeliz coincidência. Ao mesmo tempo em que era feita uma campanha para orientar cidadãos sobre o que deveriam fazer no caso de um vazamento radioativo no porto, uma companhia de abastecimento de água realizava obras.

As autoridades locais entregaram folhetos em 1.200 casas por ocasião de um exercício de prevenção radioativa que seria feito na quarta-feira no porto. Neles, se aconselhava as pessoas a ficar em casa, apagar a luz, tomar pastilhas de potássio iodadas - que ninguém tinha - e esperar novas instruções.

As advertências eram só um exercício, mas a casualidade quis que praticamente ao mesmo tempo operários da companhia de águas percorressem as ruas com alto-falantes avisando sobre cortes no abastecimento, o que confundiu muitas pessoas.

Os serviços de emergência da ilha entraram imediatamente em colapso pelas ligações, sobretudo de idosos e pessoas com deficiência física.

Vivien Hawkins, de 78 anos, explicou à agência de notícias "PA" que o volume do alto-falante da companhia estava muito alto e que, por isso, não foi possível entender o que acontecia.

"Justo após isso, me entregaram um folheto no qual se dizia o que havia que ser feito em caso de acidente nuclear. Quase morro de susto", explicou Vivien, resumindo o que aconteceu com muitos outros moradores da pacata ilha, que vive do turismo.

Segundo as autoridades, os habitantes tinham sido avisados do exercício pela imprensa local. O morador Winifred Groves, no entanto, declarou que o pânico foi causado pela sensação de urgência criada pelos alto-falantes da companhia de água.

"Isso e a bobagem de entregar os folhetos quando já começava a anoitecer", disse Winifred.

O porto natural da ilha de Portland, o ponto mais ao sul da Inglaterra, foi uma importante base da Marinha durante as duas guerras mundiais. Suas águas foram utilizadas até a década de 1990 pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para exercícios militares. EFE fpb/rr

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