COI nega acordo com China para censurar acesso à internet

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, negou neste sábado que o órgão tenha feito um acordo com o governo chinês para que jornalistas tenham acesso restrito à internet durante os jogos. Não houve qualquer tipo de acordo (com a China) para aceitar restrições de jornalistas à internet, disse Rogge durante uma coletiva de imprensa em Pequim.

BBC Brasil |

"As condições (de acesso à internet) em que vocês (jornalistas) estavam trabalhando esta semana não eram boas. Mas não posso me desculpar por algo que o COI não é responsável", disse o presidente, que juntamente com outros membros do COI se reuniu com autoridades chinesas para discutir temas como censura e poluição.

Na terça-feira, o presidente do comitê de imprensa do COI, Kevan Gosper, disse ao jornal South China Morning Post ter sido avisado de que "algumas autoridades do COI haviam negociado com os chineses que alguns sites sensíveis permanecerão bloqueados."
Controle
O acesso à internet havia sido relaxado no país recentemente, mas esta semana autoridades chinesas anunciaram que determinados sites sobre assuntos considerados "sensíveis" permaneceriam bloqueados mesmo quando o evento esportivo começar, na próxima sexta-feira.

O anúncio foi feito depois que jornalistas descobriram que seu acesso a páginas como a da Organização de Direitos Humanos Anestia Internacional e de sites sobre a situação no Tibete estava barrado.

Críticos dizem que o país quebrou a promessa feita quando se candidatou aos jogos, sete anos atrás, em prover acesso irrestrito à internet para profissionais de comunicação.

Ainda segundo o presidente do COI, o acesso a alguns sites, inclusive o da Anestia Internacional e do Serviço Chinês da BBC, havia sido liberado nos últimos dias.

O executivo do COI Kevan Gosper disse que o órgão estava discutindo com o comitê chinês para organização das Olimpíadas neste sábado para examinar outros endereços eletrônicos que poderiam ser desbloqueados.

Uso dos jogos
Em rara coletiva de imprensa, o presidente chinês, Hu Jintao, pediu esta semana que a mídia internacional não use os jogos "para falar de política".

Mais de 20 mil profissionais de comunicação são esperados na capital chinesa para a cobertura dos Jogos Olímpicos. A seis dias da abertura do evento, muitos já começam a se instalar nos centros de imprensa montados especialmente para a ocasião.

O governo chinês mantém um controle rígido sobre a mídia do país. Um relatório divulgado pelo órgão chinês de monitoramento da internet afirmou que o acesso à rede web já chega a 253 milhões de pessoas - em uma população total de cerca de 1,4 bilhão -, o maior contingente do mundo em termos absolutos.

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