La Paz, 25 jun (EFE).- Os cocaleiros da região boliviana do Chapare, no departamento de Cochabamba (centro), começaram hoje a retirar os cartazes da agência americana de cooperação Usaid, que pode ser expulsa do país amanhã.

O deputado pelo governista Movimento ao Socialismo (MAS) e dirigente cocaleiro Asterio Romero confirmou hoje à Efe que os cartazes e letreiros da agência estão sendo retirados.

"A partir de amanhã, declararemos o trópico de Cochabamba território livre da Usaid", disse.

"Vamos fechar os escritórios e acabar com os convênios e conversas com as Prefeituras", acrescentou Romero, que garantiu que não se trata de deixar de assinar convênios no futuro, mas de uma "expulsão imediata".

Por sua parte, o vice-ministro de Relações Exteriores Hugo Fernández disse em entrevista coletiva que "o Governo respeita plenamente a independência dos movimentos sociais" com os quais tem "muitos pontos de concordância".

Segundo Fernández, a medida não inviabilizaria a assinatura de convênios futuros, mas encerraria os projetos que agora estão em andamento.

No entanto, o deputado Romero disse que a posição do setor cocaleiro é mais radical.

"É hora de dizer: chega, a Usaid veio até aqui, e agora já não vai mais no trópico de Cochabamba", disse Romero, que disse que, a partir de amanhã, a agência americana não poderá seguir trabalhando no Chapare.

Segundo Romero, a Usaid chantageia os cocaleiros e está envolvida em conspirações contra o presidente Evo Morales.

Por sua parte, uma fonte da Embaixada dos Estados Unidos em La Paz, que sempre negou essas supostas conspirações, indicou à Efe que "não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre decisões a respeito dos programas de ajuda que a Usaid tem atualmente no Chapare".

Ele disse que a legação continua preocupada com a segurança de todo o seu pessoal, incluindo aqueles que se encontram no Chapare e em La Paz, depois dos incidentes contra a embaixada há duas semanas.

O embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, permanece há uma semana em Washington, para onde foi chamado para consultas por causa dos violentos protestos de 9 de junho contra a sede diplomática americana por parte de movimentos sociais próximos ao presidente Morales. EFE az/gs

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