Buenos Aires, 17 jun (EFE).- O vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, confirmou que não renunciará após romper hoje um empate no Senado ao votar contra o projeto do Governo de Cristina Fernández sobre o aumento de impostos que é motivo de um longo conflito com o setor agrário.

"Nem passou pela minha cabeça renunciar, pois isto seria trair a vontade popular", declarou a jornalistas após afirmar que o projeto governamental "dividia o próprio" Partido Justicialista (peronista) de Fernández e o país.

"Além disso, faria um mal às instituições" democráticas, acrescentou ao destacar que não responderá aos deputados governistas que o chamaram de traidor e pediram sua renúncia.

Cobos, que nesta madrugada acabou com um empate em 36 votos em sua condição de presidente do Senado, afirmou que desejou "pacificar" o país após um conflito que começou no dia 11 de março, quando entraram em vigor impostos móveis à exportação de grãos.

"Nestes dias escutei prefeitos de muitos distritos que me advertiam sobre a gravidade deste conflito e inclusive as pessoas que temiam que houvesse uma guerra civil", declarou.

"Viramos a página de todas estas coisas que vivemos, espero que o país entre em outra etapa", declarou ao defender a discussão de uma política agropecuária que satisfaça todas as partes.

Julio Cobos é uma das centenas de líderes da União Cívica Radical (UCR), segunda força parlamentar do país, que em 2006 aceitaram se juntar ao acordo político convocado pelo então presidente da Argentina, Néstor Kirchner (2003-2007), marido e antecessor de Cristina Fernández.

"Venho de outra corrente política, mas o peronismo deve entender que em suas próprias fileiras aconteceram divisões (por causa do conflito com o campo) e que é necessário debater em um clima sereno", declarou após afirmar que Cristina Fernández deve "compreender" sua posição. EFE alm/fal

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