Coalizão se justifica ao Paquistão com vídeo de ataques

A coalizão sob comando americano no Afeganistão divulgou nesta quinta-feira um vídeo de quatro ataques aéreos de precisão contra elementos antiafegãos no Paquistão, após as acusações do governo de Islamabad de que estas ações mataram 11 de seus soldados.

AFP |

A respeito dos ataques, na madrugada de terça-feira para quarta-feira, o Departamento de Estado americano comentou apenas lamentar "a perda de vidas paquistanesas".

Nas imagens divulgadas pela coalizão e feitas por um avião sem piloto é possível ver claramente quatro obuses ou mísseis, que uma voz fora de campo descreve como "munições de precisão teledirigidas" e que caem sobre um grupo de sete homens, qualificados de "elementos antiafegãos".

Segundo a versão paquistanesa, tudo começou com uma incursão do Exército afegão em território paquistanês na terça-feira à noite, no distrito de Mohmand, nas zonas tribais do noroeste do país, onde Washington e Cabul afirmam que os talibãs e a Al-Qaeda constituíram suas bases de retaguarda.

As tropas paramilitares paquistanesas iniciaram um confronto para evitar a presença dos soldados afegãos, de acordo com Islamabad. Porém, os talibãs paquistaneses e outros combatientes islamitas também atacaram as tropas afegãs, segundo o Exército paquistanês e a coalizão internacional.

A coalizão reconheceu na quarta-feira que havia respondido, mas "por legítima defensa". O Departamento de Estado americano garantiu que nenhum militar cruzou a fronteira.

Onze soldados paquistaneses e 15 combatentes islamitas morreram, segundo Islamabad. Os talibãs paquistaneses reconheceram que perderam oito ativistas.

No vídeo da coalizão, uma voz afirma que uma patrulha foi atacada na província afegã de Kunar por sete combatentes, que depois retornaram ao Paquistão.

"Uma bomba de precisão matou dois elementos antiafegãos no Paquistão. É claro que não há nenhum edifício ou posto militar na área. Os demais elementos antiafegãos tentam fugir ou se escondem em um barranco profundo", acrescenta a voz.

"Uma segunda bomba de precisão explodiu e uma terceira tem como alvo os elementos antiafegãos no barranco. Os sobreviventes são objeto de um novo ataque com bomba de precisão, que mata os últimos três. É claro que não há nenhum edifício na zona", reitera o comentário.

O Pentágono alegou que os ataques foram "legítimos".

De acordo com analistas, o episódio, o mais grave desde que o Paquistão se aliou aos Estados Unidos na "guerra contra o terrorismo" no fim de 2001, pode complicar ainda mais as relações entre Washington e o novo governo paquistanês, que tenta negociar um acordo de paz com os talibãs paquistaneses ligados a Al-Qaeda, que prometeram por sua vez prosseguir com a "jihad" (guerra santa) no Afeganistão contra as forças da coalizão.

Os Estados Unidos afirmam que o Paquistão não faz esforços suficientes para impedir as ações de combatentes fundamentalistas no Afeganistão.

Também reiteram que a Al-Qaeda reconstruiu suas forças nas zonas tribais paquistanesas e que a partir desta região, a rede de Osama Bin Laden prepara novos atentados contra os países ocidentais.

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