Coalizão opositora escolhe novo primeiro-ministro para Guiné

Dacar, 18 jan (EFE).- O Fórum das Forças Vivas (FFV), coalizão integrada por partidos políticos e organizações da sociedade civil da Guiné, escolheu Jean Marie Doré para o cargo de primeiro-ministro da transição no país, segundo rádios locais que citam fontes da oposição.

EFE |

Jean-Marie Doré, de 70 anos, é um veterano político que desempenhou um papel relevante na luta contra o falecido presidente Lansana Conté e contra a junta militar que tomou o poder após a morte deste, em dezembro de 2008.

Líder da União para o Progresso da Guiné e porta-voz oficial do FFV, Doré foi proposto como primeiro-ministro de acordo com os "critérios determinados pelos membros" da coalizão e corresponde agora ao presidente da junta militar guineana, general Sékouba Konaté, nomeá-lo para o cargo.

Konaté, que substituiu o capitão Moussa Dadis Camara, líder do golpe de 23 de dezembro de 2008, anunciou no último dia 7 a formação de um Governo de união nacional de transição, liderado por um primeiro-ministro da oposição, para levar a Guiné a eleições democráticas "o mais rápido possível".

Camara, que se recupera em Burkina Fasso dos ferimentos sofridos em um atentado cometido em 3 de dezembro, aceitou permanecer nesse país até a realização de eleições presidenciais na Guiné, em um prazo de seis meses, o que deu fim à queda-de-braço entre seus partidários e os de Konaté.

De seu exílio em Ouagadougou, Camara pediu que seus seguidores apoiem Konaté e a proposta deste para instalar um Governo de transição de união nacional na Guiné.

"Preciso de descanso" disse Camara, que ressaltou que depois elegerá o lugar onde quer residir.

As declarações de Camara, que estava acompanhado por membros da junta que seguiram para Ouagadougou, foram retransmitidas pela televisão de Burkina Fasso.

"A questão da minha candidatura e da dos demais membros do CNDD (junta militar) está definitivamente resolvida", disse Camara em referência à reunião de sexta-feira passada em Ouagadougou com Konaté sob a mediação do presidente de Burkina Fasso, Blaise Compaoré.

O acordo diz que Camara cederá todos os seus poderes a Konaté durante o período de transição e que permanecerá em Burkina Fasso, de onde chegou depois de passar pelo Marrocos, onde foi atendido dos ferimentos do atentado.

O pacto contempla a formação de um conselho nacional de transição de 100 membros, que atuará como um poder Legislativo, e a nomeação de um primeiro-ministro procedente da oposição ao regime militar, que designará um Governo civil, como Konaté anunciou previamente.

Este Governo será o encarregado de organizar as eleições presidenciais, nas quais ficarão de fora as candidaturas de militares e de membros do atual Governo nomeado pela junta golpista.

EFE st/bba

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