Coalizão no poder na Áustria sofre duro revés nas legislativas

Depois de 20 meses de paralisia governamental, os austríacos infligiram um sério revés à coalizão no poder, em benefício dos partidos de extrema-direita, nas eleições legislativas antecipadas realizadas neste domingo, segundo pesquisas de boca-de-urna.

AFP |

De acordo com estas estimativas publicadas às 15H00 GMT (12H00 de Brasília), os social-democratas do SPO e os conservadores do OVP deverão registrar os piores resultados de sua história.

No entanto, a matemática e a lógica política podem acabar favorecendo a manutenção no poder da atual coalizão.

Com mais ou menos 29% dos votos, o SPO continua na liderança, mas perdeu mais de 6 pontos percentuais em relação às legislativas de 2006. O OVP teve uma queda ainda maior, com 25,1% contra 34,3% há dois anos.

Já o partido de extrema-direita FPO ganhou mais de sete pontos, reunindo cerca de 18% dos votos. O partido populista BZO de Jorg Haider reuniu 11,7% a 11,9% dos votos, contra 4,1% em 2006.

Os ecologistas, que eram em 2006 a terceira formação política do país com 11,5% dos votos, não passaram dos 10% nestas legislativas.

Assim, somando os votos do FPO e do BZO, a extrema-direita obtém um melhor resultado que o de 1999, quando o partido de Jorg Haider reuniu 26,9% dos votos.

Estas estimativas confirmam o fracasso da coalizão governamental, paralisada por 20 meses de conflitos internos, e a forte progressão da extrema-direita no país.

Segundo as pesquisas, o partido social-democrata SPO, fundado em 1885, e os democrata-cristãos do Partido do Povo (OVP), registraram os piores resultados de sua história.

O impasse governamental em quase todos os assuntos importantes beneficiou principalmente ao FPO de Heinz-Christian Strache, que voltou a ser a terceira força política do país, uma posição que já ocupara nos ano 90 e no início dos anos 2000. Haider, ex-líder do FPO, também saiu ganhando destas legislativas.

Em junho, a esquerda elegeu um novo dirigente, Werner Faymann, 48 anos, para substituir o chanceler Alfred Gusenbauer, que não contava mais com a confiança dos militantes.

O popular Faymann superou seu adversário conservador, o pouco carismático vice-chanceler Wilhelm Molterer, 53 anos.

Com uma campanha eleitoral centrada principalmente no custo de vida, aliando-se ora com a extrema-direita, ora com os ecologistas, Werner Fayman conseguiu em 24 de setembro, na última sessão do Parlamento, a aprovação de várias leis sociais, como a redução pela metade da TVA imposta aos medicamentos, o fim dos direitos de inscrição universitários e um aumento significativo das aposentadorias.

O nível de participação das legislativas deste domingo superou os 70%, contra 78,5% nas eleições de 2006.

Os resultados definitivos somente serão conhecidos no dia 6 de outubro, depois da apuração dos votos por correspondência, uma fórmula escolhida este ano por mais de 580.000 dos 6,3 milhões de eleitores austríacos.

Pela primeira vez, 183.000 jovens de 16 e 17 anos, que representam 3% do eleitorado, puderam participar da votação, e o mandato dos deputados passará de quatro para cinco anos.

gg/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG