Coalizão governista quer impeachment de presidente do Paquistão

Por Kamran Haider ISLAMABAD (Reuters) - A coalizão governista do Paquistão deve mobilizar-se para aprovar o impeachment do presidente Pervez Musharraf sob a acusação de o dirigente ter levado o país para uma crise política e econômica, disseram chefes do bloco na quinta-feira.

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Esses líderes também avisaram que Musharraf, um ex-general que subiu ao poder pela primeira vez em 1999, por meio de um golpe militar, não deveria tentar dissolver o atual governo.

A manobra deve aprofundar ainda mais o clima de incerteza surgido nesse país armado com bombas nucleares e importante aliado dos EUA. O Paquistão já convive atualmente com uma economia fragilizada e a ameaça imposta por militantes islâmicos.

A situação reverberou sobre os mercados paquistaneses. O principal índice de ações do país atingiu seu menor patamar em dois anos, e a rúpia voltou para seu nível mais baixo, já registrado antes no começo de julho.

Asif Ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto e chefe da coalizão governista, disse que o Parlamento deve ser convocado imediatamente para dar início aos procedimentos de impeachment.

'Os líderes da coalizão acreditam ser imperativo avançar rumo ao impeachment', afirmou Zardari em uma entrevista coletiva realizada ao lado do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, parceiro de coalizão dele.

Nenhum porta-voz de Musharraf manifestou-se ainda a respeito do caso, mas aliados disseram que o presidente lutará para ficar no cargo.

'Nós o elegemos e agora daremos apoio a ele a fim de derrotar essa manobra', afirmou Kamil Ali Agha, líder do maior partido pró-Musharraf.

'O presidente resistirá ao impeachment', disse quando questionado sobre se Musharraf pretendia renunciar.

A resposta das poderosas Forças Armadas à possibilidade de uma saída humilhante de seu ex-chefe deverá ser determinante no caso.

Comandantes militares reuniram-se na cidade de Rawalpindi, perto de Islamabad, na quinta-feira. Um oficial, no entanto, afirmou se tratar de um encontro de rotina.

Musharraf subiu ao poder ainda no cargo de general em 1999, derrubando Sharif e governando sozinho o Paquistão durante oito anos. O dirigente perdeu força após ter renunciado ao cargo de chefe das Forças Armadas, que controlaram o país por mais de metade de seus 61 anos de história como nação independente.

O líder paquistanês tornou-se cada vez mais impopular internamente e perdeu apoio parlamentar depois de seus aliados terem sido derrotados nas eleições de fevereiro. Musharraf, no entanto, resistiu a todos os apelos feitos para que deixasse o cargo.

'As políticas econômicas adotadas pelo general Musharraf durante os últimos oito anos colocaram o Paquistão à beira de um impasse econômico grave', disse um comunicado conjunto lido por Zardari.

'Ele fez de tudo para minar a transição rumo à democracia.'

(Reportagem adicional de Augustine Anthony)

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