Coalizão governista impede reeleição de premier e Samak retira candidatura

A ausência no Parlamento dos deputados governistas impediu nesta sexta-feira a reeleição anunciada do primeiro-ministro tailandês, Samak Sundaravej, obrigado a renunciar na terça-feira por decisão do Tribunal Constitucional.

AFP |

Horas mais tarde, Samak Sundaravej anunciou a retirada de sua candidatura para um novo mandato por causa das divergências dentro do partido.

"Samak rejeitará a indicação. Depois renunciará ao posto de líder do Partido do Poder do Povo (PPP)", declarou à AFP um colaborador do premier que pediu anonimato.

Os representantes da coalizão não compareceram à votação para a eleição do chefe de Governo, que só contou com a presença 161 dos 470 deputados da Câmara, todos ligados ao opositor Partido Democrata, o que já havia sido interpretado como um novo golpe contra Samak.

Com isto, a sessão foi adiada para quarta-feira da próxima semana.

Somchai Wongsawat, premier interino e número dois do Partido do Poder do Povo (PPP) de Samak, tentou amenizar a situação. No entanto, na quinta-feira a maioria dos parlamentares do partido anunciou apoio à reeleição de Samak.

Outros dois partidos da coalizão fizeram ressalvar sobre a candidatura de Samak, 73 anos, que o Tribunal Constitucional declarou culpado de ter aceitado, de forma ilegal, o salário de uma empresa privada para apresentar programas de culinária na TV. A situação fez a justiça determinar a renúncia do premier.

A falta de quórum desta sexta-feira possibilita o surgimento de novos candidatos para a sessão da próxima semana.

O PPP, com 223 deputados no Parlamento, estava dividido sobre a questão de manter ou não a candidatura de Samak. Uma ala do partido não considerava mais o ex-premier a pessoa adequada para o cargo.

Os outros cinco partidos da coalizão somam 83 deputados. Um deles, o Chart Thai - com 34 deputados - manifestou que a sessão frustrada da sexta-feira dava outra oportunidade ao PPP para encontrar um novo candidato.

A decisão do Tribunal Constitucional não cassou os direitos políticos de Samak e nada impedia uma nova candidatura.

Porém, o primeiro-ministro estava em situação frágil desde 26 de agosto, quando a sede do governo foi ocupada por milhares de manifestantes que exigiam sua renúncia.

Os analistas já consideravam que a única opção da coalizão era chegar a um acordo sobre outro candidato.

Os detratores de Samak o acusam de ser uma "marionete" de Thaksin.

bc/fp

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