Coalizão governista do Paquistão inicia vida pós-Musharraf

Por Kamran Haider ISLAMABAD (Reuters) - Os líderes da coalizão governista do Paquistão viviam um impasse em torno do Judiciário na terça-feira, um dia depois da renúncia do presidente Pervez Musharraf e em meio a um atentado que matou 25 pessoas deixando claros os problemas enfrentados pelo país.

Reuters |

Musharraf, ex-chefe do Exército e importante aliado dos Estados Unidos na campanha contra o terrorismo, renunciou à Presidência na segunda-feira para evitar um impeachment.

Os líderes da coalizão se reuniram por várias horas para discutir o nome do substituto de Musharraf além de questões econômicas e de segurança, mas as negociações chegaram a um impasse quando se chegou ao tema do destino dos juízes que Musharraf expurgou no ano passado.

As especulações sobre a renúncia dele tornaram-se mais frequentes desde que a coalizão governista, liderada pelo partido da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, disse neste mês que pretendia tirá-lo do cargo devido a supostas violações da Constituição.

Os dois principais partidos da coalizão eram duros rivais na década de 1990 quando Bhutto e Nawaz Sharif, que lidera a outra legenda da coalizão, se alternavam no cargo de primeiro-ministro. Analistas dizem que a oppsição a Musharraf uniu os dois grupos e que sua renúncia pode voltar a separá-los.

Sharif tem insistido para que os juízes voltem aos cargos, mas o partido que lidera a coalizão, o da ex-premiê assassinada Bhutto, tem hesitado.

Os líderes dos quatro partidos que formam a coalizão menosprezaram o fracasso das negociações e disseram que estabeleceram o prazo de três dias para resolver a questão entre as duas maiores legendas.

'Estabelecemos o prazo de três dias para chegar a um consenso nas próximas 72 horas e desempenhar nosso papel em encontrar uma solução final', disse Fazal-ur-Rehman, líder de um pequeno partido religioso, a repórteres. Ele recusou-se a detalhar as divergências.

A incerteza a respeito do destino de Musharraf prejudicou os mercados financeiros desse país de 165 milhões de habitantes, armado com bombas nucleares, e levantou dúvidas nos EUA e em outros locais sobre a possibilidade de o governo paquistanês perder o foco na luta contra grupos militantes.

A renúncia do presidente valorizou a rúpia e fez subir as bolsas do Paquistão, tanto na segunda quanto na terça-feira.

O Stocks deu um salto de mais de 3 por cento enquanto os investidores celebravam o clima político menos carregado. O principal índice do país depois baixou um pouco, mas continua registrando uma alta de 2 por cento.

A rúpia ganhou força, chegando perto de 74,53/60 em relação ao dólar --a moeda havia fechado em 75,30/45 um dia antes.

Investidores afirmaram que a renúncia de Musharraf significava o fim de um problema político. Mas os mercados agora aguardam para ver se o atual governo conseguirá comandar o país de forma eficiente.

'O mercado quer saber o quão bem a coalizão governista conseguirá resolver as principais questões pendentes', disse Mohammed Sohail, diretor da área de análise de mercado na JS Global Capital. 'Agora, chegou a hora do teste para os partidos da coalizão.'

Os investidores desejam ver a adoção de medidas concretas para restabelecer a confiança abalada pela instabilidade política, afirmaram analistas.

(Reportagem adicional de Koh Gui Qing em Karachi)

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