Coalizão governista declara vitória no Líbano

O líder governista Saad al-Hariri declarou que sua coalizão 14 de Março, apoiada pelo ocidente e contra a Síria, ganhou as eleições libanesas e a maioria no Parlamento do país. A contagem de votos continua pela madrugada desta segunda-feira, mas alguns políticos do movimento rival 8 de Março, liderado pelo Hezbollah e apoiado por Síria e Irã, já admitiram a derrota através de declarações nas emissoras locais.

BBC Brasil |


Hariri fez um discurso no início da madrugada parabenizando a coalizão governista pela vitória.

"Em minha opinião, sim, o "14 de Março" voltará como a maioria", disse ele para as emissoras.

Mas muitos preferem esperar os resultados oficiais, inicialmente previstos para serem divulgados na madrugada, mas que foram remarcados para saírem no início da manhã.

Entretanto, analistas do país disseram que os resultados finais deverão mostrar uma diferença apertada.

Segundo eles, muitos distritos ainda não receberam as contagens e as eleições deverão ser decididas pelos cristãos do país, uma comunidade dividida entre os que apoiam governistas ou oposição.

Divisão

Candidatos disputam 128 cadeiras no Parlamento, divididos em 64 vagas para cristãos e 64 para muçulmanos.

Segundo os resultados preliminares 68 cadeiras deverão ir para os governistas, enquanto que o Hezbollah e seus aliados ficariam com 57 assentos no parlamento, além de outras três cadeiras para candidatos independentes.

O grupo xiita declarou que ainda esperava pela contagem de outros distritos e que não estava preocupado com uma eventual derrota no pleito. No entanto, um político importante, próximo ao bloco liderado pelo Hezbollah já teria admitido a derrota em declaração a jornalistas.

De acordo com o próprio Hezbollah, o partido elegeu todos os 11 candidatos que disputaram as eleições.

Governo de união

A votação terminou às 19 horas horário local (13 horas, horário de Brasília). Cerca de 3 milhões de eleitores estavam aptos a votar, mas o comparecimento ficou em 52% de votantes, um aumento de 20% em comparação às eleições de 2005, de acordo com o ministro do Interior, Ziad Baroud.

O governo colocou em torno de 50 mil soldados e policiais pelo país para prevenir violência, mas não houve maiores incidentes.

Mesmo com uma vitória do "14 de Março", analistas acreditam que haverá a formação de um governo de união nacional que agregasse as principais forças políticas da oposição.

O "14 de Março" recebe apoio dos Estados Unidos, que temiam um governo libanês controlado pelo Hezbollah, que consta na lista americana como grupo terrorista.

A atual maioria governista chegou ao poder em 2005, depois do assassinato do ex-premiê Rafik al-Hariri, pai do atual líder Saad al-Hariri, em um atentado à bomba em Beirute.

A Síria foi acusada de ordenar a morte de Hariri e a pressão da comunidade internacional forçou os sírios a retirar suas tropas do Líbano depois de 29 anos de presença militar no país.

O governo sírio sempre negou veementemente qualquer envolvimento no atentado contra Hariri.


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