Coalizão governista chilena se envolve em disputas internas após eleições

Santiago do Chile, 18 jan (EFE).- A coalizão governista chilena, confusa e desorientada após a derrota eleitoral de domingo, se envolveu hoje em disputas internas depois que os membros mais jovens exigiram a renúncia dos dirigentes.

EFE |

Dezenas de jovens ocuparam nesta segunda-feira a sede da Democracia Cristã para exigir a renúncia de seus dirigentes, enquanto na sede do Partido Socialista membros do partido tentaram acorrentar-se à porta, episódio que terminou com troca de agressões.

Dirigentes das juventudes da Democracia Cristã e do Partido Socialista exigiram a renúncia de Juan Carlos Latorre e do senador Camilo Escalona da Presidência de ambos os partidos.

"Se Latorre não vem, assume seus erros e coloca o cargo à disposição, esta tomada segue. Estamos esperando sua reação, mas este cavalheiro nem sequer chamou", disse a rádio "Cooperativa" Héctor Gárate, presidente da Juventude Democrata-cristã, um dos ocupantes da sede do partido, no centro de Santiago.

Neste domingo, o empresário Sebastián Piñera terminou com 20 anos de Governo da Concertação pela Democracia e com uma mensagem de mudança ganhou a Presidência do Chile, à frente de uma coalizão de direita.

Piñera foi ratificado hoje como presidente eleito ao alcançar 51,60 dos votos no segundo turno celebrado neste domingo, conforme a contabilização definitiva.

Pelos números divulgados pelo subsecretário do Interior, Patrício Rosende, o futuro presidente alcançou 51,60% dos votos, 3,21 pontos percentuais a mais que o governista Eduardo Frei, que obteve 48,39 % das preferências.

Por sua parte, Patrício Mery, da juventude socialista, comentou que com este tipo de atos "nascerá uma nova Concertação".

"Seremos a oposição a Piñera, temos de trabalhar para recuperar a confiança do povo, que não votou a favor da direita, mas votou contra a Concertação, e isso é o grave", sustentou.

Carolina Tohá, que foi chefe da campanha de Eduardo Frei, concordou com outros dirigentes jovens, Claudio Orrego e Ricardo Lagos Weber, em "refundar" a Concertação.

"A Concertação não pode seguir como está, tem de colocar-se em dia com a sociedade de hoje e recuperar algo que esteve em suas origens e que foi perdido", enfatizou Tohá.

Acrescentou que chegou o momento de trabalhar "respeitando, incluindo e escutando", e sustentou que essa é a única maneira que (a Concertação) volte a ser maioria no Chile.

Orrego, que é prefeito do município de Peñalolén, fez um "mea culpa" pela forma como atuaram nos últimos anos as cúpulas dos partidos políticos.

O deputado Marcelo Díaz, quem deseja à Presidência do Partido Socialista, disse que uma vez renuncie Camilo Escalona, este deve "colaborar na renovação".

Dirigentes das juventudes do partido socialista, após tentar acorrentar-se às portas da sede do partido, se enredaram em uma briga com outros militantes.

Segundo Díaz, os jovens querem pressionar a Escalona para que renuncie à Presidência do Partido, por considerá-lo como principal responsável do triunfo direitista. EFE mc/dm

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