Embaixadores da Otan continuarão na quinta-feira discussões sobre quem vai liderar operação contra o regime de Kadafi

Rebeldes líbios fazem o V da vitória enquanto pegam munição de tanque não identificado perto da cidade de Ajdabiya
AFP
Rebeldes líbios fazem o V da vitória enquanto pegam munição de tanque não identificado perto da cidade de Ajdabiya
Os 28 países que integram a Organização do Atlântico Norte (Otan) não chegaram a um acordo nesta quarta-feira sobre quem vai liderar a operação contra o regime do líder da Líbia, Muamar Kadafi. Os Estados Unidos, que atualmente lideram a ação militar, tentam passar o comando para a Otan.

Embaixadores dos 28 países da Otan se reuniram pelo terceiro dia consecutivo em Bruxelas, mas segundo um diplomata ouvido pela agência Reuters, nenhuma decisão foi tomada. As discussões devem ser retomadas na segunda-feira.

Durante coletiva na última etapa de seu giro latino-americano, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou na terça-feira em El Salvador não ter nenhuma dúvida de que o país poderá transferir a uma coalizão internacional o controle da operação na Líbia dentro de alguns dias.

Nesta quarta-feira, o comandante da aviação britânica que opera sobre a Líbia, o marechal Greg Bagwell, afirmou que a Força Aérea de Kadafi "não mais existe como força de combate". Segundo o militar, os aliados operam agora quase "impunemente" sobre os céus do país do norte da África.

Ele também disse que a coalizão internacional está aplicando uma pressão implacável sobre as Forças Armadas do líder líbio. "Estamos cuidando dos inocentes do país e garantindo que estão protegidos dos ataques", disse Bagwell durante visita a membros da Força Aérea Real britânica com base em Gioia del Colle, no sul da Itália.

"As forças terrestres líbias estão sob constante observação e as atacaremos sempre que ameacem civis ou ataquem os centros populacionais."

Bombardeios

As forças da coalizão internacional lançaram ataques aéreos perto da cidade de Misrata, a 200 km ao leste de Trípoli, que está em poder de rebeldes na Líbia.

A TV estatal líbia também afirmou que a coalização fez ataques aéreos na capital, tendo como alvos instalações militares no bairro de Tayura.

As forças leais a Kadafi se retiraram momentaneamente dos arredores de Misrata. Testemunhas afirmaram, porém, que ainda havia franco-atiradores disparando contra a população de tetos de casas e prédios dentro de Misrata. Forças de Kadafi também retomaram ataques na cidade de Zintan, perto da fronteira com a Tunísia, segundo testemunhas.

Os rebeldes em Misrata, isolados do resto do território em mãos revolucionárias, resistiram nos últimos dias à artilharia das tropas de Kadafi, reforçada por carros de combate e pelos franco-atiradores que impedem qualquer movimento de civis e milicianos.

Segundo um médico do hospital da cidade, os ataques de Kadafi deixaram 17 mortos na terça-feira, incluindo cinco crianças. "O dia de ontem foi desastroso. Tivemos o sentimento de que era o final", disse o médico, que pediu anonimato.

As forças internacionais lançam ataques contra a Líbia desde sábado. A coalizão age sob o mandato do Conselho de Segurança, que aprovou a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre o país, para proteger a população civil.

Na TV

Na terça-feira, Kadafi fez sua primeira aparição em público desde o início da ofensiva ocidental e prometeu derrotar as tropas da coalizão estrangeira.

“No curto prazo, venceremos. No longo prazo, venceremos”, disse Kadafi, em uma suposta aparição ao vivo na TV estatal do país, feita em Bab Al-Aziziya, local perto de Trípoli que foi bombardeado recentemente pelas tropas estrangeiras. “Seremos vitoriosos no final.”

Em discurso de três minutos, feito de uma sacada diante de simpatizantes, Kadafi disse que a “mais poderosa defesa aérea” de seu país “é o povo”. “Aqui está o povo. Kadafi está no meio do povo. Essa é a defesa aérea.”

O líder líbio se disse vítima de uma “nova cruzada” lançada “contra o islã”. “Todos os exércitos islâmicos devem tomar parte na batalha. Seremos vitoriosos no final”, agregou.

Marcelo: então, eu acho que não vai rolar pecorinha

Com Reuters e AFP

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