Coalizão de governo se reúne para decidir futuro do Paquistão sem Musharraf

Os líderes da frágil coalizão governamental paquistanesa que, na segunda-feira, levou o presidente Pervez Musharraf a renunciar ao cargo antes de se submetido a um processo de destituição se reúne nesta terça-feira para iniciar negociações sobre a sucessão do chefe de Estado.

AFP |

"Os dirigentes querem discutir sobre temas relativos à era 'pós-Musharraf', incluindo eleições presidencais", afirmou Farhatulah Babar, porta-voz do Partido do Povo Paquistanês (PPP), da falecida ex-primeira-ministra Benazir Bhutto e formação que lidera a coalizão.

A reunião acontecerá em Islamabad, na residência do viúvo de Bhutto e atual co-presidente do PPP, Asif Ali Zardari.

A televisão local exibiu imagens de Zardari que, acompanhado por seu filho, Bilawal Bhutto Zardari, recebia Nawaz Shariz, o ex-primeiro-ministro a quem Musharraf derrubou do ppoder num golpe de Estado sem sangue em 1999.

Pervez Musharraf anunciou na segunda-feira, em um discurso à nação, sua renúncia ao cargo, evitando assim a abertura de um processo de destituição.

No auge da impopularidade, o ex-membro dos comandos de elite que chegaram ao poder da única potência nuclear militar do mundo muçulmano em outubro de 1999, finalmente cedeu às pressões de adversários políticos.

Sem dúvida, influenciou também em sua decisão o fraco apoio dado a ele nos últimos tempos pelo exército e, sobretudo, os Estados Unidos, até agora seu aliado chave na guerra contra o terrorismo islâmico. Eles o vinham condenando cada vez mais por não lutar com eficácia contra a presença da Al-Qaeda e dos talibãs nas zonas tribais do noroeste do país.

"Depois de analisar a situação e consultar conselheiros e aliados políticos, decidi renunciar", disse Musharraf com semblante grave.

"Deixo meu futuro nas mãos do povo", acrescentou, ao final de um discurso no qual defendeu seu balanço e acusou a coalizão governista, antiga oposição que saiu vitoriosa das legislativas de fevereiro, de fugir aos fundamentos da República Islâmica do Paquistão, com 160 milhões de habitantes.

Musharraf fez questão de reiterar sua inocência e assegurar que as acusações políticas contra ele não se sustentavam.

A coalizão de partidos que venceu as eleições conseguiu superar suas divisões e acertou em 7 de agosto que buscaria a destituição de Musharraf.

As potências ocidentais querem que o Paquistão resolva a crise o quanto antes possível para se concentrar na luta contra as milícias islamitas talibãs e a rede Al-Qaeda nas regiões fronteiriças com o Afeganistão, onde 500 pessoas morreram na semana passada.

Nesta terça-feira ainda, um terrorista suicida acionou a carga explosiva que trazia consigo em um hospital no noroeste do Paquistão e provocou a morte de pelo menos 23 pessoas, informou a Polícia.

O atentado ocorreu em um hospital da cidade de Dera Ismail Khan, próxima às zonas tribais onde o Exército combate os islamitas radicais aliados à al-Qaeda e aos talibãs afegãos, e onde a violência é freqüente há mais de um ano.

"Há 23 mortos confirmados e até 20 feridos. Encontramos as pernas do suposto agressor suicida", disse o chefe da Polícia da província, Malik Navid Khan, à TV Geo.

"Dezenas de pessoas haviam se concentrado na entrada do hospital para protestar pela morte de uma personalidade local. A Polícia também estava lá quando ocorreu a explosão", explicou outro oficial da Polícia, Habib Khan.

str-rj/cn

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG