Os partidos da coalizão governamental já estão preparando a folha de acusações que apresentarão no Parlamento contra o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, para pedir a destituição do chefe de Estado, disse neste domingo uma fonte do Governo.

A ministra de Informação paquistanesa, Sherry Rehman, disse à rede "Geo TV" que a moção será "histórica" e "sólida", e que os partidos da coalizão de Governo já têm o apoio de 350 legisladores.

Para consumar o processo de destituição, será necessário o apoio de 295 deputados, um número que os partidos da coalizão de Governo não reunirá sem o apoio de outras formações minoritárias e de independentes.

Antes, no entanto, as duas câmaras parlamentares devem apresentar uma folha de acusações contra Musharraf, que será comunicada ao presidente em um prazo de três dias.

Segundo uma fonte não identificada citada pela "Geo TV", o comitê formado pelos partidos governamentais para redigir a folha de acusações se reuniu hoje na residência da ministra de Informação e está considerando um documento de oito pontos.

Musharraf será acusado, segundo essa versão, pelo golpe de Estado de 1999 contra o Governo de Nawaz Sharif, pela suspensão da Constituição, pela imposição de uma lei marcial parcial, pela operação da Mesquita Vermelha, pela expulsão dos juízes e por debilitar o país.

Além disso, o comitê está considerando incluir o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, a permissão a "potências estrangeiras" para intervir na política do país, o desaparecimento de civis e a retenção do pai do programa atômico paquistanês, Abdul Qadeer Khan.

Alguns deputados das demarcações tribais fronteiriças com o Afeganistão e os nacionalistas baluchis do sudoeste pedem também para acrescentar na acusação as operações militares nessas áreas, segundo a "Geo TV".

Sherry Rehman disse que, na segunda-feira, acontecerá uma última reunião para terminar a redação do projeto acusatório.

O Parlamento do Paquistão se reunirá nesta segunda às 17h (8h de Brasília) em uma sessão ligada ao início do processo de destituição, confirmou à Agência Efe o porta-voz do Partido Popular do Paquistão (PPP), Farhatullah Babar.

Musharraf não fez, por enquanto, nenhuma aparição pública para se defender, mas, segundo informações de pessoas próximas ao chefe de Estado, mantém a firme intenção de não se render e enfrentar o processo de destituição.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.