Bogotá, 15 fev (EFE).- Uma missão internacional de observação eleitoral na Colômbia alertou hoje que a transparência das próximas eleições legislativas e presidenciais, fixadas para março e maio deste ano, estão ameaçadas por coações, assassinatos e perseguição.

Estas são as principais conclusões da missão, integrada por ONGs da Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, México, Nicarágua, Panamá e Reino Unido, segundo o relatório preliminar apresentado hoje após uma viagem de supervisão por várias regiões.

A diretora da ONG Programa das Américas do Centro de Política Internacional, Laura Carlsen, com sede no México, afirmou que durante a viagem os integrantes da missão ouviram das pessoas entrevistadas que os candidatos dos partidos do Governo utilizam os subsídios para coagir o voto.

"Candidatos à Câmara e ao Senado participaram de reuniões, nas quais se afirmou que, caso não votem por eles e pelo candidato à Presidência pelo Partido do U (no poder com Álvaro Uribe), os subsídios que recebem do presidente acabarão", diz o documento.

Até agora não se conhece quem será o candidato governista para as presidenciais de 30 de maio, porque a Corte Constitucional ainda não se pronunciou sobre um projeto de referendo para modificar a Constituição e permitir um terceiro mandato presidencial a Uribe.

A coação aos eleitores não é o único crime eleitoral que põe em perigo a transparência das eleições legislativas de 14 de março e presidenciais de 30 de maio, segundo a missão.

"As ameaças de grupos armados constituem um fator de risco para um processo eleitoral pleno e com completa liberdade", disse Carlsen.

A missão internacional de observação eleitoral, liderada pela ONG americana Global Exchange, visitou de 3 a 14 de fevereiro os departamentos de Córdoba, Antioquia (noroeste), Santander (nordeste) e Valle del Cauca (sudoeste).

O documento apresentado hoje expressa preocupação pela possibilidade de assassinatos de pessoas envolvidas no processo eleitoral e a perseguição de líderes comunitários e ressalta que o medo está presente em todas as esferas da sociedade colombiana. EFE fer/sa

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