Clube espanhol é multado por gritos racistas da torcida

As autoridades do futebol espanhol multaram em 3 mil euros (mais de R$ 7 mil) o clube Sporting de Gijón depois que torcedores do time entoaram cantos racistas contra o jogador equatoriano Joffre Guerrón, do Getafe, no último domigo. O incidente aconteceu no estádio El Molinón, na cidade de Gijón.

BBC Brasil |

Assim que a torcida começou a gritar as ofensas, durante o segundo tempo da partida, o árbitro suspendeu o jogo por alguns instantes e, por meio dos alto-falantes do estádio, pediu que os torcedores parassem com os gritos.

De acordo com a súmula do jogo escrita pelo árbitro, "os gritos racistas vieram de uma parte do estádio onde estava um grupo de seguidores locais da torcida conhecida como Ultra Boys".

O juiz destacou que, após pedir pelos alto-falantes que os gritos cessassem, "os fatos não voltaram a se repetir".

Depois da divulgação da multa, o clube publicou em seu site oficial um comunicado em que repudiou o incidente e disse que o episódio causou um enorme prejuízo à imagem do time.

"O Sporting faz uma chamada de consciência para acontecimentos como este e pede que eles não se repitam", diz o texto. "Além de lamentar o ocorrido, o Sporting pede ao jogador do Getafe as mais sinceras desculpas."
Respostas
O equatoriano Gerrón minimizou o incidente e afirmuo que ofensas do tipo "entram por um ouvido e saem pelo outro".

Mesmo assim, um de seus companheiros de equipe, o suíço Fabio Celestini, manifestou irritação com o caso e disse que "há bobos em todos os estádios".

"Imagino que no país dele (Guerrón) isso não aconteça", afirmou. "Se ninguém tivesse dito, ele não teria percebido que os gritos eram contra ele."
O presidente do Sporting, Manuel Vega Arango, também se comprometeu a usar todos os meios para que incidentes assim não ocorram novamente, mas disse que "não é possivel colocar um policial ao lado de cada torcedor" para evitar ofensas do tipo.

Punições
Esta não é a primeira vez que incidentes do tipo são registrados em estádios espanhóis.

Em 2006, o jogador camaronês Samuel Eto'o, do Barcelona, ameaçou se retirar de campo depois de ser alvo de gritos racistas.

Já em 2004, jogadores negros da seleção inglesa de futebol foram alvo de ofensas racistas durante um amistoso contra a Espanha em Madri.

Alguns torcedores, no entanto, afirmam que não há racismo nos estádios e que os gritos servem para provocar o time adversário.

"Se Guerrón fosse do Sporting, estes gritos não teriam acontecido", escreveu um torcedor do Sporting de Gijón em um fórum na internet.

Em 2006, a Fifa alterou o artigo 55 de seu código disciplinar para incorporar sanções mais severas aos clubes cujos torcedores cometem atos de racismo.

As novas regras incluem suspensão de partidas, perda de pontos e desqualificação da equipe de campeonatos.

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