Clinton reúne líderes de todo o mundo para enfrentar desafios

Nova York, 22 set (EFE).- O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton reuniu hoje dirigentes e personalidades de todo o mundo para debater durante quatro dias os maiores desafios mundiais, e pedir-lhes que façam algo que represente uma melhora tangível nas condições de vida de algum grupo.

EFE |

"Qualquer um pode fazer algo para melhorar este mundo e qualquer um deveria tentar", disse hoje o presidente dos EUA, Barack Obama, na inauguração da quinta reunião anual da Iniciativa Global Clinton, com a presença de rostos conhecidos, com a atriz Demi Moore e a cantora Alicia Keys.

A reunião deste ano é a que, até o momento, tem mais resposta, com o apoio de dezenas de chefes de Estado e de representantes do mundo acadêmico, científico, religioso e filantrópico procedentes de 84 nações.

"Começamos em 2005 para discutir os desafios atuais, mas também para nos comprometer a fazer algo que tivesse impacto real na vida das pessoas", disse hoje Clinton, que, até agora, conseguiu mobilizar mais de US$ 46 bilhões.

A proposta de Clinton é que todos que forem a este fórum apresentem uma iniciativa que represente uma melhora tangível para as condições de vida de alguma comunidade.

"Passei 30 anos na política e sei que o que importa é saber o que se quer fazer e, sobretudo, quanto custará", disse Clinton, cuja iniciativa procura unir "os que têm ideias aos que têm aptidões e dinheiro".

O ex-presidente americano, que disse que em cinco anos foram fechados cerca de 1,4 mil compromissos de diversos tipos, afirmou que "este ano a reunião deve se concentrar em identificar passos mais específicos que transformem as boas intenções em mudanças reais".

Como exemplo disso, Clinton apresentou o ator Matt Damon como co-fundador da Water.org, uma organização que, entre outros propósitos, busca facilitar o acesso a água potável aos milhões de pessoas que não dispõem da mesma.

Damon anunciou o compromisso de sua organização de mobilizar US$ 2 milhões para conseguir que nos próximos três anos pelo menos mais 50 mil haitianos tenham acesso a água potável e recursos de saneamento, em um país onde apenas 51% dispõem disso.

"Incentivo a todos os que quiserem se envolver vá a nosso site e faça isso", disse o ator, cuja organização já mobilizou US$ 1 milhão em microcréditos de grande efeito multiplicador, o que permitiu "que muito mais crianças destinem mais tempo à escola e que suas famílias não tenham que depender da caridade".

Após o discurso de Damon, começou o primeiro painel de discussão da noite, moderado pelo próprio Clinton, e que, centrado em economia e energia, contou com a participação da presidente do Chile, Michelle Bachelet.

"Hillary e eu admiramos muito Bachelet, desde que era titular da Saúde e, sobretudo, por ser a primeira mulher a ser ministra da Defesa na América Latina, algo misterioso, porque todos sabemos que as mulheres são mais duras que os homens", brincou Clinton, ao apresentá-la.

"Se fosse congressista americano, estaria envergonhado de que o Chile possa assegurar (em relação a planos de saúde) todo mundo e os EUA não possam", disse Clinton, após ouvir o discurso de Bachelet, que fez uma clara defesa da necessidade de zelar pelo bem-estar social.

Para isso, propôs garantir a proteção à saúde da população, especialmente da mais vulnerável, destinar 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) à ajuda ao desenvolvimento e fomentar a colaboração com o setor privado.

"Estou muito preocupada com o colapso social que pode chegar após o econômico", reconheceu Bachelet, que apostou em aproveitar a conjuntura atual para mudar a direção em que avança o desenvolvimento e "fazer as coisas de outra maneira".

Bachelet também defendeu o reforço do papel do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) na elaboração de um novo modelo de crescimento que respeite o meio ambiente e os direitos humanos.

O primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, - a quem Clinton descreveu como "um dos líderes mundiais mais inteligentes -, concordou com a chilena e disse que o G20, que esta semana realiza uma cúpula em Pittsburgh (EUA), tem muito mais legitimidade que o Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia).

"No século XXI, não faz sentido uma instituição que exclui China, Brasil, Índia, México ou o mundo muçulmano inteiro", disse Rudd, e ressaltou que o G20 "introduz na agenda internacional temas como o desenvolvimento e a pobreza". EFE mgl-dvg/an

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