A Coreia do Norte demonstrou uma preocupante resistência a abandonar seus programas nucleares no momento da apresentação de sua delegação no fórum regional da Asean, declarou nesta quinta-feira a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

"Infelizmente, a delegação norte-coreana apenas ofereceu uma insistente recusa de reconhecer que a Coreia do Norte havia seguido pelo caminho errado", disse Clinton à imprensa na ilha tailandesa de Phuket.

"Em sua apresentação de hoje, não manifestaram nenhuma vontade de seguir o caminho da desnuclearização e isto é preocupante, não só para os Estados Unidos, mas também para a região e para a comunidade internacional", acrescentou.

A Coreia do Norte atacou Hillary Clinton pouco antes das declarações da secretária de Estado, afirmando que as negociações multilaterais que buscam o fim de seu programa nuclear "estão mortas" até que Washington abandone sua política "hostil".

Além disso, criticou a falta de inteligência de Clinton, referindo-se a ela como uma "senhora divertida".

"Suas palavras sugerem que ela não é nada inteligente", disse um porta-voz da chancelaria norte-coreana, citado pela agência oficial da Coreia do Sul.

O porta-voz desqualificou a ex-primeira-dama americana, atribuindo a ela "uma série de observações vulgares e inapropriadas para sua condição, em todos os lugares onde foi desde que assumiu o cargo".

"Só podemos enxergar Clinton como uma senhora divertida, já que gosta de utilizar este tipo de retórica, ignorando a etiqueta elementar da comunidade internacional", acrescentou.

Em seu discurso no fórum, Clinton ofereceu a Pyongyang a perspectiva de "ajuda energética e econômica significativa" em troca de sua desnuclearização.

O fórum regional sobre segurança na Ásia reúne dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean): Tailândia, Malásia, Cingapura, Indonésia, Filipinas, Brunei, Vietnã, Laos, Mianmar e Camboja, além de 17 países e blocos como Estados Unidos, China, Rússia, Japão e a União Europeia.

Clinton assinou nesta quarta-feira em Phuket um tratado de não agressão com a Asean, que se sentiu preterida nas prioridades de Washington durante o mandato de George W. Bush (2001-2008).

Com a medida, o governo do presidente Barack Obama procura responder ao crescente poder da China no sudeste asiático, reativando as relações com esta região de quase 600 milhões de habitantes.

"Quero enviar uma mensagem muito clara de que os Estados Unidos estão de volta, que participamos plenamente e estamos comprometidos em nossas relações com o sudeste asiático", afirmou Clinton antes da assinatura do acordo.

Sua antecessora, Condoleeza Rice, não participou de nenhum fórum regional da Asean.

Como mostra das intenções dos Estados Unidos na região, Clinton expôs com vigor os riscos da proliferação nuclear representado pela Coreia do Norte.

A secretária de Estado prometeu que o governo Obama se mostrará firme diante da possibilidade de que a Coreia do Norte envie armas convencionais ou tecnologia nuclear a Mianmar, pois uma cooperação deste tipo seria "desestabilizadora" para a região.

O tratado de não agressão assinado na Tailândia compromete seus signatários a resolver pacificamente os conflitos e a não interferência em assuntos internos.

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