Clinton e Bush dizem acreditar na criação de 100 mil empregos no Haiti

Porto Príncipe, 22 mar (EFE).- Os ex-presidentes americanos Bill Clinton e George W.

EFE |

Bush deram hoje um peso decisivo às pequenas e médias empresas na reconstrução do Haiti, ao apostar nelas para dinamizar a economia haitiana, e disseram ser viável criar 100 mil empregos no país em breve.

Bill Clinton, enviado especial das Nações Unidas para o Haiti, destacou que o processo poderia contar com o apoio de empresas sul-coreanas e brasileiras, embora não tenha especificado em que setores ou ramos de atividade se concentrariam os novos postos de trabalho.

Os dois ex-líderes visitaram o país caribenho por algumas horas para falar com as autoridades sobre o processo de reconstrução do Haiti, devastado pelo terremoto do dia 12 de janeiro que causou a morte de 222.500 pessoas e deixou 1,5 milhão de desabrigados.

Clinton lembrou a assinatura por parte dos Estados Unidos da lei "Hope" ("Esperança"), que favorece a entrada de produtos da indústria têxtil haitiana sem pagamento de tarifas.

Por sua vez, Bush destacou que "ainda existe muito sofrimento" no Haiti. Ele defendeu o início de "um processo para estimular as pequenas e médias empresas para o desenvolvimento do Haiti".

Os dois ex-presidentes, corresponsáveis pelo Fundo Clinton-Bush para a reconstrução do Haiti, se reuniram com o presidente haitiano, René Préval, para tratar da recepção e gestão dos fundos de ajuda ao país.

"Os fundos recebidos devem ajudar a desenvolver o Haiti a longo prazo, depois do período de emergência", declarou Clinton, que ressaltou a importância de assegurar a recepção dos recursos e de sua gestão transparente.

A visita de Clinton e Bush também teve como objetivo preparar a conferência de doadores do próximo dia 31 na sede das Nações Unidas em Nova York, na qual o Governo haitiano deve apresentar seu plano nacional para a reconstrução.

Em reunião técnica preparatória realizada na terça e na quarta-feira em Santo Domingo, foi calculada em US$ 3,8 bilhões a contribuição da comunidade internacional para financiar durante 18 meses a reconstrução da nação caribenha.

Também se propôs a criação de um fundo de reconstrução e de um órgão paralelo que determine as principais necessidades do país, copresidido pelo primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, e Clinton, na qualidade de enviado especial da ONU.

Bush e Clinton estabeleceram o fundo para o Haiti poucos dias depois do desastre a pedido do presidente dos EUA, Barack Obama.

Até o momento, mais de 200 mil pessoas doaram US$ 36 milhões ao fundo, dos quais US$ 4 milhões já foram distribuídos entre diversas organizações humanitárias presente no país.

Bush e Clinton, que participaram de uma entrevista coletiva em frente ao semidestruído Palácio Nacional, também insistiram na necessidade de garantir que os haitianos não vão morrer em inundações, como aconteceu em 2008, quando dois furacões e outras tantas tempestades tropicais causaram a morte de cerca de 800 pessoas.

Diante da temporada de chuvas, que deve começar nos próximos dias, eles ressaltaram a importância de tirar as pessoas de locais inseguros e de instalar sistemas de saneamento nos campos de desabrigados, onde vivem 1,2 milhão de pessoas desde o terremoto.

Sobre a situação que gerou a catástrofe, o ex-presidente Bush afirmou: "Ver isso com os próprios olhos é diferente do que a televisão mostra".

Antes e durante o encontro, defensores do ex-presidente haitiano Jean Bertrand Aristide se manifestaram nas proximidades do Palácio Nacional, onde colocaram fogo em pneus e pediram o retorno de Aristide, derrubado em 2004 e exilado atualmente na África do Sul.

EFE rc/pb/bba

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