Clínica de Ohio realiza primeiro transplante de rosto dos EUA

Washington, 16 dez (EFE).- Um grupo de cirurgiões realizou o primeiro transplante de rosto nos Estados Unidos, informou hoje a Clínica Cleveland, no estado de Ohio.

EFE |

O estabelecimento não forneceu detalhes sobre o transplante, e disse apenas que a cirurgia foi realizada pela médica Maria Siemionow e que a paciente era uma mulher.

Acrescentou que durante a operação foi substituído cerca de 80% do rosto da paciente pelo de uma doadora que tinha morrido há duas semanas.

A clínica não forneceu a identidade da paciente e da doadora, e também não esclareceu quando aconteceu a operação.

"As informações sobre a paciente permanecerão em um plano confidencial, assim como as da doadora", disse uma porta-voz da clínica.

Acrescentou que a operação foi mais ampla que outros transplantes de rosto realizados na França e China.

"Qualificamos (a cirurgia) como um transplante quase total.

Envolveu muito mais do que o que foi feito até o momento", afirmou.

A primeira operação deste tipo foi realizada em uma mulher que foi atacada por seu cachorro na França há três anos.

Em uma entrevista há três anos, Siemionow anunciou que pretendia realizar esse tipo de intervenção cirúrgica em pessoas desfiguradas, com o objetivo de lhes ajudar a ultrapassar seus problemas emocionais e o estigma social.

"Não existem boas alternativas terapêuticas para pessoas que tenham ficado gravemente queimadas ou pacientes com ferimentos faciais", indicou na ocasião.

Alguns cirurgiões citados pelo diário "The Washington Post" em sua página da internet assinalaram que ainda existem muitos perigos e que não se pode assegurar ainda o êxito da operação.

O professor de ética e valores humanos do Colégio de Medicina da Universidade do Tennessee Carson Strong disse que um dos principais riscos é o da rejeição do enxerto por parte do organismo receptor, o que obrigaria a desfazer o transplante.

"O resultado disso seria essencialmente um enorme ferimento no rosto do paciente no local onde se eliminou o tecido", manifestou.

"Nesse caso, é possível dizer que o paciente ficaria em pior situação do que antes do transplante", concluiu. EFE ojl/mh

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