Clima: metano dos pântanos é uma das principais causas do aquecimento

As zonas pantanosas são as principais fontes naturais de emissões de metano, com os incêndios florestais tendo impacto menor na produção deste poderoso gás causador do efeito estufa, segundo um estudo sobre o aquecimento global após a última glaciação, publicado nesta quarta-feira pela revista Nature.

AFP |

Uma equipe de pesquisadores do Instituto Alfred Wegener, da Alemanha, e do Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Meio Ambiente em Grenoble, na França, chegou a este resultado analisando camadas de gelo datando de 18.000 a 11.500 anos antes de nossa era.

"Os fogos tiveram um impacto menor para modular as emissões de metano nesta escala de tempo, o que enfatiza ainda mais as zonas pantanosas", declarou à AFP Jérôme Chapellaz, um dos autores do estudo.

Durante seis milênios de aquecimeto, as emissões de metano associadas aos incêndios florestais ficaram constantes, enquanto que as ligadas às zonas pantanosas praticamente dobraram, segundo os cientistas.

O trabalho realizado durante o período examinado permitiu demonstrar que "as zonas pantanosas são bem mais suscetíveis que os fogos de biomassa" de acelerar o aquecimento global, explicou o pesquisador francês.

Os grandes pântanos se encontram principalmente na Sibéria ocidental, onde há "zonas muito ricas em matérias orgânicas suscetíveis de degelar", assim como "em todo o cinturão indonésio, a região sob a influência da monção indiana e a bacia amazonense", destacou Chappellaz.

Além das fontes naturais de emissões de metano, o acúmulo deste gás na atmosfera também se deve à extração do carvão, às flatulências dos ruminantes, à indústria do gás e do petróleo e à decomposição dos detritos orgânicos nos lixões a céu aberto.

boc/yw

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