Clima e crise central preocupações de Merkel em política externa

Rodrigo Zuleta. Berlim, 26 set (EFE).- A ameaça da mudança climática e a crise financeira internacional são as duas grandes preocupações em matéria de política externa da chanceler alemã, Angela Merkel, cuja permanência no cargo é considerada certa por pesquisas e analistas.

EFE |

As eleições legislativas de amanhã não devem trazer alterações na diplomacia da Alemanha, marcada há décadas pela continuidade e pelo consenso entre os grandes partidos.

As duas opções ventiladas para a próxima gestão - uma continuação da grande coalizão entre a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e o Partido Social-Democrata (SPD), ou uma aliança entre a CDU e o Partido Democrático-Liberal (FDP) - não apontam para uma guinada em nenhuma das questões-chave em política externa.

Embora haja diferenças em alguns temas e uma divergência sobre a entrada da Turquia na União Europeia (UE) - a CDU se opõe, ao contrário do SPD e do FDP -, os programas dos três partidos em relação a questões de política internacional são, em boa parte, negociáveis.

Os três pedem uma reforma do Conselho de Segurança da ONU com um posto permanente para a UE ou para a Alemanha, reiteram sua fé nas instituições europeias e também destacam o compromisso alemão com as missões internacionais contra o terrorismo.

Em relação ao Afeganistão, há consenso de que seria desejável uma retirada das tropas o mais em breve possível, mas também de que seria irresponsável uma saída desordenada que não deixasse condições mínimas de segurança aos afegãos.

Ademais, tanto Merkel como seu ministro de Assuntos Exteriores e adversário nas eleições, Frank Walter Steinmeier, e o líder liberal, Guido Westerwelle, não se cansam de advertir que não se pode permitir que o Afeganistão volte a se transformar em um centro de operações da Al Qaeda.

Apenas um dos partidos que, segundo as sondagens, terá representação parlamentar, o A Esquerda, tem em seu programa elementos que apontariam para uma mudança radical em política externa. Entre os pontos, se destaca a exigência de uma saída imediata do Afeganistão e a doutrina de não participar mais de intervenções militares.

Precisamente por isso esse partido não é visto pelo SPD como um possível parceiro de coalizão viável em nível federal, apesar de Angela Merkel algumas vezes ter deixado transparecer a ideia de ter o A Esquerda como aliado.

Esse temor, na verdade, é mais retórico, e o que está na agenda da política externa alemã são questões mais pragmáticas.

Em primeiro lugar, está a busca de fórmulas para a criação de uma nova arquitetura financeira internacional que diminua a possibilidade de uma nova crise global.

Nesse ponto há algumas coincidências, como a ideia de criar uma entidade de supervisão bancária europeia, e pontos em discussão, como a proposta de Steinmeier de introduzir um imposto às transações nas bolsas de valores globais.

Merkel se mostrou aberta à proposta de Steinmeier, embora advertindo que isso só seria possível com um acordo internacional. O candidato social-democrata, por outro lado, afirma que, caso isso não ocorra, a Alemanha deve tomar uma medida sozinha.

Outro tema relacionado com a crise financeira é o da luta contra os paraísos fiscais, que já foi uma das prioridades da atual coalizão.

Sobre mudança climática, uma das primeiras tarefas da agenda do novo Governo será a cúpula de Copenhague, onde a Alemanha - independentemente da coalizão que esteja no poder - seguirá insistindo em aprofundar os esforços internacionais para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. EFE rz/rr

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