Clima: ajuda financeira é sinal de esperança numa conferência ainda estagnada

A conferência sobre o clima de Copenhague parece ter dado um passo à frente nesta quarta-feira, com a promessa de liberação de uma ajuda imediata de 23 bilhões de dólares para os países em desenvolvimento.

AFP |

O Japão decidiu oferecer 1,75 trilhão de ienes (19,5 bilhões de dólares), incluindo 1,3 bilhão de ienes em um fundo público, para ajudar as nações em desenvolvimento a lidar com as mudanças climáticas.

O valor, que corresponde à maior contribuição anunciada até agora na cúpula da ONU sobre o clima, equivale a mais da metade de um plano de assistência imediata de 30 bilhões de dólares no período 2010-2012 para permitir a aplicação de medidas urgentes de adaptação aos efeitos do aquecimento - um dos pontos de conflito das negociações entre os 193 países participantes.

"O Japão como país leva muito a sério sua responsabilidade dentro da comunidade internacional", declarou Sakihito Ozawa, ministro japonês do Meio Ambiente.

Por outra parte, seis países ricos anunciaram um acordo que prevê o desbloqueio de 3,5 bilhões de dólares para ajudar no combate ao desmatamento nos países mais pobres, em um cronograma de dois anos (2010-2012).

A decisão tomada por Austrália, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Japão e Noruega marcou o maior avanço até agora na conferência do clima da capital dinamarquesa, que termina na próxima sexta-feira.

"Ações para reduzir emissões provenientes das florestas podem ajudar a estabilizar nosso clima, a apoiar o modo de vida, a conseguir a preservação da biodiversidade e a promover o desenvolvimento econômico", indicaram os seis países em um comunicado conjunto.

"Como parte de um amplo e ambicioso acordo, reconhecemos o significativo papel do financiamento público internacional no amparo aos países em desenvolvimento para reduzir, parar e no fim reverter o desmatamento", acrescentaram.

O grupo descreveu sua iniciativa como "um investimento inicial" nos países em desenvolvimento que apresentarem planos "ambiciosos" para preservar suas florestas.

"Nos comprometemos coletivamente a aumentar nosso financiamento depois, em função das oportunidades e dos resultados alcançados", destacou o comunicado.

O desmatamento de florestas em todo o mundo é responsável por um quinto das emissões anuais de gases causadores do efeito estufa - embora novos números apontem uma queda deste percentual para 12%.

No ritmo atual - cerca de 15 milhões de hectares por ano, ou seja a superfície de Bangladesh - o desmatamento é responsável por cerca de um quinto das emissões de gases de efeito estufa no mundo, ou seja, mais que o setor do transporte.

A ajuda rápida será orientada às nações que possuem florestas tropicais, precisa a França em comunicado. Ela se inscreve na "visão francesa e europeia de reduzir pela metade o desflorestamento mundial até 2020 e de fazer cessar a perda de florestas no mais tardar em 2030".

Os mecanismos do REDD (Redução de Desmatamento e Degradação), que dizem respeito a mais de 70 países no mundo, e que estão atualmente em negociação, são os que mais interessam a países como o Brasil. A disposição do REDD transforma a proteção da floresta em fonte para receber financiamento, com monitoramento e critérios internacionais.

Estes anúncios de ajuda financeira, a 48 horas do final da conferência, embora unicamente para o curto prazo, representam a primeira boa notícia dos últimos dias num encontro marcado pelas divergências.

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