Clérigos do Iêmen clamam por jihad em caso de tropas estrangeiras no país

Sana, 14 jan (EFE).- Um grupo de 150 clérigos muçulmanos iemenitas incitaram hoje à jihad (guerra santa) em caso de qualquer país enviar tropas ao Iêmen para perseguir os militantes da Al Qaeda.

EFE |

"Caso qualquer entidade estrangeira insista na agressão ou na ingerência militar ou de segurança, o islã obriga a todos os fiéis a participar da 'jihad'", asseguraram os religiosos em comunicado emitido após uma reunião que mantiveram em uma mesquita de Sana, capital iemenita.

Esse apelo é feito três dias depois que o chefe do Comando Conjunto Central do Exército dos Estados Unidos, general David Petraeus, assegurou em entrevista à rede "CNN" que seu país dará mais de US$ 150 milhões de ajuda ao Iêmen para combater o terrorismo, mas que não enviaria tropas para combatê-los.

Nesse sentido, os religiosos mostraram rejeição a qualquer interferência política ou cooperação militar com o estrangeiro, apesar de também proibirem matar civis de "países estrangeiros ou ocupantes".

As autoridades iemenitas declararam em 2003 guerra contra a Al Qaeda, que em janeiro de 2009 anunciou que tinha instalado no Iêmen uma nova estrutura regional que absorvia os quadros da Arábia Saudita, sob a direção de Nasser al-Wuhayshi, também conhecido pelo nome de guerra de Abu Basir.

No entanto, o alarme internacional pela presença da Al Qaeda neste país árabe ocorreu em 25 de dezembro, quando um jovem nigeriano supostamente tentou explodir um avião com destino aos EUA, após ter visitado o Iêmen.

O Ministério do Interior iemenita, por sua vez, informou em comunicado que milicianos de uma tribo pró-governamental tinham matado dez rebeldes xiitas no norte do país.

Segundo a nota, membros da tribo al-Shulan atiraram contra um grupo de rebeldes houthis quando eles tentavam se refugiar em uma casa na região de Al-Matama.

Os rebeldes houthis, cujo nome provém da família de seu atual líder, Abdel Malik al-Houthi, mantêm desde agosto passado sangrentos enfrentamentos com as forças de segurança iemenitas no norte do país, cuja origem se remonta a 2004.

Desde então, morreram centenas de pessoas e mais de 200 mil se viram obrigadas a abandonar seus lares segundo a ONU.

O regime iemenita atualmente faz frente à rebelião armada do norte, ao movimento separatista do sul, que aumentou suas exigências, e aos terroristas da Al Qaeda. EFE ja/sa

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