Clérigo xiita acha que sectarismo político é causa dos problemas no Líbano

Beirute, 25 nov (EFE).- O clérigo Mohamad Hussein Fadlallah, um dos líderes religiosos mais importantes do xiismo, acredita que o sectarismo político tribal é responsável por todos os males do Líbano.

EFE |

Em entrevista publicada hoje pelo jornal libanês "L'Orient Le Jour", Fadlallah insiste em que "o problema do Líbano não é religioso", mas provém do sistema confessional que domina a política nacional.

O citado sistema estabelece que os principais postos dentro do Estado devem ser divididos entre as comunidades mais representativas do país, no qual convivem até 18 religiões diferentes.

O presidente deve ser sempre um cristão maronita, o primeiro-ministro, um muçulmano sunita, e o chefe do Parlamento, um muçulmano xiita.

Fadlallah acredita que este "sectarismo político que explora a pluralidade das crenças religiosas" é o principal responsável pelos problemas do Líbano, e considera que "a multiplicidade de afiliações partidárias, políticas, regionais e extra-nacionais provoca as tensões".

O clérigo, um dos religiosos considerados mais aberturista entre os xiitas, foi apontado no passado como guia espiritual do grupo xiita libanês Hisbolá, o que ele sempre negou.

Fadlallah também se referiu aos violentos combates entre grupos libaneses em maio, que estiveram perto de levar o país a uma nova guerra civil.

"O problema era eminentemente político e não tinha qualquer relação com a religião", disse Fadlallah, que lembrou que o conflito explodiu após a intenção do Governo de desmantelar a rede de comunicações do Hisbolá e de destituir o chefe de segurança do aeroporto, vinculado à organização xiita.

Sobre a comunidade xiita do Líbano, e concretamente sobre o papel do Hisbolá, Fadlallah destacou as "vitórias" alcançadas em 2000, quando Israel saiu do sul do Líbano, e na conflito de meados de 2006.

No entanto, lamentou "que aqueles que são próximos aos Estados Unidos e à União Européia queiram desarmar (o Hisbolá), ainda sabendo que o Exército não possui armamento suficiente para fazer frente às agressões israelenses".

"Só os métodos da guerrilha podem resistir a Israel, e não um Exército regular", considerou Fadlallah. EFE ks/an

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