RIYADH, Arábia Saudita - Quando Hala al-Masaad convidou suas amigas para celebrar seu 18º aniversário com bolo e suco, a estudante do ensino médio deu início a um debate público pouco comum. Celebrar aniversários é algo que contraria os preceitos do islamismo?

O principal clérigo muçulmano da Arábia Saudita denunciou recentemente a prática de festas de aniversário como uma influência estrangeira ruim, mas outro religioso declarou que não há problema na comemoração.

A situação confundiu Al-Masaad a respeito de sua pequena celebração no mês passado. Ela afirmou que adora festas de aniversário porque elas fazem com que sinta que entrou em "uma nova fase de sua vida".

"Mas, às vezes, sinto que estou fazendo algo haram", ela disse, usando a palavra árabe para proibido.

A proibição saudita às festas de aniversário segue a interpretação rígida do Islã seguida pela conservadora seita Wahhabi e implementada no país. Todas as festas cristãs, e até mesmo algumas muçulmanas, são proibidas pois são consideradas costumes estrangeiros não sancionados pelos sauditas.

Apenas as festas muçulmanas de Eid al-Fitr, que marcam o final do Ramadã, e Eid al-Adha, que conclui a peregrinação anual à Meca, são permitidas no país.

Em todo o resto do mundo muçulmano, incluindo Egito, Dubai, Líbano e Irã, as pessoas comemoram os aniversários com festas, especialmente para as crianças. No Egito, o aniversário do profeta Maomé é comemorado com a distribuição de doces (no formato de uma boneca para as meninas e de um cavalo para os meninos).

Mesmo na Arábia Saudita, não é difícil encontrar sauditas que comemoram seu aniversário ou lojas que vendem bolos e comidas, apesar da proibição.

O que torna a última controvérsia notável é que ela começou quando um clérigo proeminente, Salman al-Audah, afirmou num popular programa de televisão no mês passado que comemorar o aniversário com uma festa não é um problema desde que a palavra árabe que descreve eventos sagrados ("eid", que significa banquete ou festa) não seja usada.

Isso gerou inúmeras denúncias do principal religioso do país, Abdul-Aziz Al Sheik, que disse que tais comemorações não têm cabimento de acordo com o Islã.

"Os cristãos têm Dia das Mães, e eid para as árvores e para qualquer ocasião", disse Al Sheik ao jornal Al-Madina. "E em todos os aniversários, velas são acesas e comida distribuída".

Não há dúvida que as palavras de Al-Audah, que não é empregado pelo estabelecimento religioso do país, contradisse inúmeras fatwas, ou regras religiosas, emitidas pelos clérigos sauditas ao longo dos anos.

Um dessas regras, estabelecida pelo antigo mufti, Sheik Abdul-Aziz bin Baz, afirmava que os  muçulmanos não devem imitar o ocidente e comemorar aniversários (mesmo o do profeta Maomé, que é feriado na maioria dos países do Oriente Médio).

"Não é permitido que façam parte destas festas", ele disse. "Festas de aniversário são uma inovação e as pessoas não precisam de inovações".

Ainda assim, alguns sauditas receberam bem as palavras de Salman al-Audah.

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