Clérigo radical nascido nos EUA pede morte de americanos

Procurado pela CIA e pelo Iêmen por ligação com a Al-Qaeda, Anwar Al-Awlaqi diz que não é preciso autorização para matar "o diabo"

iG São Paulo |

O clérigo radical de origem americana Anwar Al-Awlaqi, acusado de ligação com o braço da Al-Qaeda no Iêmen, pediu a morte de americanos em uma mensagem de vídeo postada na internet.

"Não consulte ninguém antes de matar americanos", afirmou Al-Awlaqi no vídeo de 23 minutos, segundo o site de vigilância de mensagens islamitas SITE. "Para matar o diabo não é preciso nenhuma fatwa (decreto religioso)".

Na mensagem, Al-Awlaqi disse, também, que "todos os líderes árabes e do Iêmen são corruptos", e que é hora de os líderes religiosos tomaram o poder.

"Reis, emirs e presidentes não estão qualificados para liderar uma nação ou mesmo um grupo de ovelhas", afirmou. "Se os líderes são corruptos, os religiosos precisam assumir a responsabilidade pela nação."

No sábado, a Justiça do Iêmen ordenou que as forças de segurança do país prendam Anwar Al-Awlaqi, acusado de ligação com a Al-Qaeda. Os Estados Unidos consideram Anwar Al-Awlaqi um terrorista. A Agência Central de Inteligência americana (CIA) também está autorizada a prender ou matar o clérigo de 39 anos, por supostamente ter participado de um atentado frustrado em um avião que ia aos EUA, em dezembro de 2009.

Investigadores americanos dizem que sermões de Anwar Al-Awlaqi serviram de inspiração para diversos militantes, possivelmente Faisal Shahzad, que tentou detonar uma bomba na Times Square em maio deste ano. O clérigo também mantinha contato por email com o psiquiatra do Exército americano acusado de matar 13 pessoas na base de Fort Hood, no Texas, em 2009.

Autoria

Na noite de sexta-feira, a Al-Qaeda da Península Arábica assumiu responsabilidade pelo envio de pacotes-bombas aos EUA. Os embrulhos suspeitos foram interceptados no Reino Unido e nos Emirados Árabes Unidos. A descoberta levou EUA, Reino Unido e Oriente Médio a emitirem sinal de alerta.

A Al-Qaeda da Península Arábica é considerado atualmente uma das principais fontes de propaganda e recrutamento da rede terrorista. Autoridades creem que sejam cerca de 300 membros, compostos por jihadistas veteranos do Iraque e Afeganistão, além de militantes da Arábia Saudita e Somália.

O governo iemenita tem aumentado suas operações antiterroristas com ajuda militar e de inteligência dos Estados Unidos.

Dentre os objetivos do grupo no Iêmen, local de nascimento do pai de Osama bin Laden, está o de atacar ocidentais e derrubar a família real saudita, aliada dos EUA. Seu líder, Nasir al-Wahashy, aconselha militantes a lançar ataques mais simples, com bombas improvisadas.

Com AP e AFP

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