Clérigo paquistanês negocia paz com Taliban no vale do Swat

Por Kamran Haider MINGORA, Paquistão (Reuters) - Um clérigo radical muçulmano enviou na quinta-feira emissários a seu genro do Taliban para negociar a paz no vale do Swat, mas não sem antes elogiar o governo por oferecer o restabelecimento da lei islâmica na região.

Reuters |

Críticos dizem que, ao recorrer ao ex-militante Maulana Sufi Mohammad para o papel de pacificador, o governo mostra sua fraqueza diante da onda de militância islâmica que toma conta do noroeste paquistanês.

Não está claro quanta influência Mohammad poderia ter sobre seu genro Maulana Fazullah, já que o jovem estabeleceu vínculos com a Al Qaeda e com militantes islâmicos de outras partes do Paquistão, segundo os críticos.

Muslim Khan, porta-voz do Taliban, disse à Reuters que as negociações estão em curso, mas o assassinato de um jornalista, na noite de quarta-feira, demonstra a insegurança e a instabilidade no vale.

Entre 250 mil e 500 mil pessoas já fugiram do Swat desde que Fazlullah lançou-se à luta armada, segundo a Anistia Internacional, e pelo menos 1.200 civis foram mortos neste lugar que já foi um paraíso turístico a 130 quilômetros ao norte de Islamabad.

O acordo entre o governo e Mohammad, que já esteve na vanguarda de uma longa luta violenta para estabelecer a lei islâmica no Swat, repercutiu negativamente entre os aliados ocidentais que têm tropas no vizinho Afeganistão.

Mohammad, que passou seis anos preso por comandar milhares de combatentes até o Afeganistão, numa vã tentativa de ajudar o Taliban a expulsar os invasores norte-americanos em 2001, é uma figura respeitada entre conservadores, particularmente em aldeias mais remotas.

Em 1994, ele liderou uma rebelião pela restauração da lei islâmica no Swat e também desafiou as autoridades com protestos pelo descumprimento de promessas do governo.

Autoridades ocidentais temem que ao aceitar a reinstauração da lei islâmica o governo acabe estimulando a militância islâmica no noroeste do Paquistão.

O governo argumenta que tratar com Mohammad é melhor do que usar a força, já que inevitavelmente haveria vítimas civis, o que alienaria ainda mais a população local.

Ele dizem também que a lei islâmica ora introduzida não será nada parecida com a versão do Taliban, que inclui execuções sumárias e punições por amputação e chibatadas.

O presidente Asif Ali Zardari já disse que só sancionará o sistema islâmico de Justiça quando a paz for restaurada. O Taliban anunciou no domingo um cessar-fogo de dez dias.

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