Clérigo islâmico critica Israel diante do papa e gera polêmica

Por Alastair Macdonald JERUSALÉM (Reuters) - Um influente clérigo islâmico palestino lançou duras críticas a Israel na segunda-feira, diante do papa Bento 16, e fez um apelo para que ele ajude a impedir os crimes do Estado judeu.

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O discurso, ao final de uma reunião do papa com clérigos cristãos, judeus e muçulmanos, irritou o Vaticano e o Rabinato-Chefe de Israel, que decidiu boicotar essa instância de diálogo até que os palestinos afastem o clérigo em questão.

Referindo-se aos palestinos cristãos e muçulmanos, o xeque Taysir Al Tamimi disse: "Lutamos juntos e sofremos juntos a opressão da ocupação israelense. Esperamos juntos a libertação, a independência e o estabelecimento de um Estado palestino independente".

No início da sua viagem de cinco dias à Terra Santa, o papa já havia se envolvido em polêmica ao fazer um discurso num memorial do Holocausto - o qual, segundo alguns líderes judeus, não se empenhou suficientemente em curar as divisões entre as duas religiões.

Em seu discurso de segunda-feira a padres, rabinos e xeques, Bento 16 elogiou a busca por valores comuns e o respeito mútuo na superação de diferenças que "às vezes podem parecer barreiras".

Como último orador, Tamimi, chefe dos tribunais religiosos dos territórios palestinos, saudou o papa em "Jerusalém, capital eterna da Palestina" - ao contrário do que dizem os israelenses - e enumerou muitas queixas contra o Estado judeu.

Ele afirmou que Israel "profanou" locais sagrados da Cidade Velha desde que a ocupou, em 1967, e desafiou o direito internacional ao demolir casas, confiscar terrenos, construir assentamentos judaicos e erguer uma série de muros e cercas que transformaram a cidade em "uma prisão".

Tamimi foi aplaudido por alguns clérigos ao citar negativamente a ofensiva militar israelense de janeiro na Faixa de Gaza.

Ao final de seu pronunciamento de seis minutos, ele se dirigiu diretamente ao papa dizendo: "Santidade, peço ao sr. em nome de Deus que condene esses crimes e pressione o governo israelense a suspender sua agressão contra o povo palestino".

O diretor-geral do Rabinato-Chefe de Israel, Oded Wiener, disse que "o xeque Tamimi constrangeu o papa" e anunciou o boicote judaico a esse fórum. Ele afirmou que o clérigo muçulmano havia pressionado os organizadores católicos para ser chamado como orador.

Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, também recriminou o clérigo. "O discurso do xeque Taysuir Tamimi não estava agendado pelos organizadores do encontro. Num encontro dedicado ao diálogo, esta intervenção foi uma negação direta daquilo que o diálogo deveria ser. Esperamos que tal incidente não prejudique a missão do papa, destinada a promover a paz e também o diálogo interreligioso".

(Reportagem adicional de Labib Nasir e Tom Heneghan)

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