Clérigo iraniano quer execução de mais manifestantes

TEERÃ (Reuters) - Um clérigo radical iraniano pediu na sexta-feira ao Judiciário que execute mais manifestantes oposicionistas, como forma de acabar de vez com os protestos contra o governo, disse uma rádio estatal. Na véspera, o Irã enforcou dois homens condenados por acusações como travarem guerra contra Deus, defenderem a queda das instituições islâmicas e pertencerem a grupos armados.

Reuters |

Sites oposicionistas têm convocado manifestações contra o governo em 11 de fevereiro, 31o aniversário da Revolução Islâmica. Autoridades conservadoras alertam que haverá repressão a atos "ilegais".

"Agradeço o chefe do Judiciário por executar dois baderneiros, e peço a ele que execute outros se (os manifestantes) não desistirem desses protestos", disse o aiatolá Ahmad Jannati a fiéis na Universidade de Teerã, num discurso transmitido ao vivo por uma rádio pública.

Jannati dirige o Conselho Guardião, que avaliza ou não candidatos a cargos públicos, e é partidário do presidente Mahmoud Ahmadinejad, cuja reeleição em junho, marcada por denúncias de fraude, desencadeou a atual série de manifestações.

Em 5 de janeiro, o ministro do Interior do país já havia alertado que o envolvimento em protestos pode acarretar a pena de morte.

As autoridades dizem que os dois réus executados eram parte de um grupo monárquico e antirrevolucionário de 11 integrantes, que teria colocado bombas e planejado a morte de autoridades para criar tensões no dia da eleição e depois. As sentenças de morte impostas aos outros nove suspeitos estão em fase de recurso.

Referindo-se à violenta repressão contra protestos durante a celebração xiita da Ashura, em dezembro, quando oito pessoas morreram, Jannati disse: "Demonstramos fraqueza até a Ashura (...). Não há mais espaço para a tolerância".

A oposição diz que mais de 70 pessoas já morreram nos protestos, embora as autoridades digam que o número de mortes foi de aproximadamente metade dessa cifra, incluindo milicianos pró-governo.

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