Clérigo iraniano pede mais penas de morte para acabar com protestos

Teerã, 29 jan (EFE).- O aiatolá iraniano Ahmad Jannati agradeceu hoje ao Poder Judiciário do país pela execução de dois opositores e pediu que sejam aplicadas rapidamente outras sentenças de morte, no sermão de sexta-feira na Universidade de Teerã.

EFE |

Da mesquita da Universidade, alto-falante político do regime, o clérigo ultraconservador ressaltou que a falta de vista grossa é uma das principais razões de os protestos continuarem no país.

"Tudo o que estamos sofrendo se deve a nossa fraqueza. Quantos foram executados em julho?", perguntou-se Jannati em discurso transmitido ao vivo pela televisão e pela rádio estatal.

"Fomos fracos e por isso ocorreram os eventos da Ashura. Se voltamos a mostrar a mesma postura, o futuro será pior", acrescentou.

"Da mesma maneira que foram executados rapidamente esses dois 'mohareb' (inimigos de Deus), deve-se manter firmeza e atuar contra o resto deles", assinalou.

O Irã está imerso em uma grave crise política e social desde que em junho passado foi reeleito o presidente Mahmoud Ahmadinejad, cujo triunfo eleitoral a oposição reformista considera fruto de uma "fraude maciça".

Logo após a divulgação do resultado, centenas de milhares de pessoas foram às ruas de todo o país aos gritos de "onde está meu voto?".

Na repressão dos protestos, morreram pelo menos 30 pessoas - segundo números oficiais - e 72 de acordo com o cálculo da oposição, que também denunciou torturas nas prisões.

Além disso, cerca de 4 mil pessoas foram detidas, entre elas mais de uma centena de responsáveis da oposição que lideram os candidatos derrotados, Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karroubi.

A crise se agravou em 27 de dezembro passado, dia sagrado da Ashura, quando pelo menos oito pessoas morreram nos confrontos entre grupos de oposição e forças de segurança.

O Poder Judiciário iraniano condenou à morte 11 pessoas por suposta participação nos protestos. O Irã acusa os Estados Unidos e o Reino Unido de articular as manifestações, junto a movimentos de oposição no exílio como o Mujahedin Khalq e a Associação Monárquica, considerados terroristas.

Ontem foram enforcados dois homens, Mohamad Reza Ali-Zamani, de 37 anos, e Arash Rahmanipour, de 20 anos, acusados de pertencer a este último grupo e de conspirar para derrubar o regime. EFE jm/sa

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