Clérigo iraniano diz que protestos eleitorais têm que acabar

Por Fredrik Dahl e Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - Um clérigo conservador do Irã exigiu na terça-feira o fim dos protestos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad como presidente, após o principal órgão legislativo do país fechar as portas para um desafio legal ao resultado da eleição.

Reuters |

Como era esperado, o Conselho de Guardiães desconsiderou na segunda-feira as reclamações de irregularidades na eleição de 12 de junho, feitas pelos candidatos derrotados Mirhossein Mousavi e Mehdi Karoubi.

Um comunicado divulgado pelo site de Mousavi na Internet não faz referência à decisão do órgão de 12 membros, mas cita uma carta enviada pelo ex-primeiro-ministro ao Conselho no sábado, na qual ele repete o pedido para que a eleição seja anulada.

A eleição presidencial provocou a maior tensão interna no país desde a revolução islâmica de 1979.

O próximo passo formal é o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, reconhecer Ahmadinejad como presidente. Depois disso, ele deve ser empossado pelo Parlamento em algumas semanas.

Não está claro se Mousavi seguirá pedindo o cancelamento da votação, arriscando assim ser preso, ou se aceitará a derrota para Ahmadinejad, que é apoiado por Khamenei e pela Guarda Revolucionária.

"O Conselho de Guardiães é a única referência legal para a eleição e, portanto, parece que a questão dos protestos contra a eleição presidencial está encerrada," disse Ahmad Khatami, clérigo que, na sexta-feira, pediu a execução dos líderes dos protestos.

"Todos que acreditam no sistema islâmico e estão comprometidos com suas leis e regulamentações têm de aceitar a opinião do Conselho de Guardiães", disse ele, segundo a agência de notícias semioficial Fars.

"Se algumas pessoas ainda se opõem à decisão do Conselho de Guardiães. Isso significa que elas se opõem à lei e isso mostra que essas pessoas não querem seguir adiante por meio de canais legais e que querem atingir seus objetivos pela força", disse Khatami.

Centenas de milhares de iranianos se juntaram aos protestos nas ruas após a primeira declaração da vitória de Ahmadinejad, mas a tropa de choque e uma milícia religiosa esmagaram as manifestações desde o dia 20 de junho.

Segundo a mídia estatal, 20 pessoas morreram nos confrontos, pelo qual o governo culpa a oposição e vice-versa.

O Conselho de Guardiães, que veta candidatos presidenciais e supervisiona o processo eleitoral, declarou que uma recontagem parcial de 10 por cento dos votos não mostrou irregularidades e anunciou que a denúncia havia sido arquivada.

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