Clérigo condiciona fim de milícia xiita a ordem de aiatolás

Assessores do clérigo xiita Moqtada al-Sadr afirmaram nesta segunda-feira que ele vai acabar com sua poderosa milícia, o Exército Mehdi, se importantes líderes religiosos xiitas derem a ordem para que isso aconteça. O movimento sadrista afirma que vai enviar delegações para discutir o assunto com o clérigo xiita mais importante do Iraque, o aiatolá Ali al-Sistani, e com o aiatolá Kazem al-Hussein al-Haeri, que fica no Irã.

BBC Brasil |

Um dos assessores de Sadr, Liqa'a al-Yaseen, afirmou que é um costume do clérigo xiita consultar os aiatolás para decisões desse tipo.

"O movimento sadrista é uma tendência ideológica populista", afirmou. "Seu líder, Moqtada al-Sadr, é um clérigo islâmico e, portanto, consultar figuras religiosas importantes a respeito da deposição de armas do Exército Mehdi não é incomum, é lógico."
"Mas não creio que, neste momento em particular, os clérigos mais importantes vão decidir que é admissível a deposição de armas (do Exército Mehdi), levando em conta a presença da ocupação americana nos territórios iraquianos", acrescentou.

Ameaça
O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, ameaçou excluir os partidários de Moqtada al-Sadr da política do país caso o Exército Mehdi não deponha as armas.

"A decisão foi tomada de que eles não terão o direito de participar do processo político ou das próximas eleições a não ser que acabem com o Exército Mehdi", disse Maliki em entrevista.

O líder iraquiano e os principais partidos do país já tinham pedido o fim das milícias durante a campanha de combate a estes grupos, mas essa foi a primeira vez que Maliki citou o Exército Mehdi de maneira específica.

"A declaração do primeiro-ministro não tem nenhuma legitimidade constitucional", afirmou o assessor de Sadr.

"O bloco sadrista entrou no processo político quando exerceu seu direito constitucional", acrescentou Yaseen. "Temos uma entidade oficial registrada com a Comissão Eleitoral Independente do Iraque. Não foi imposta nenhuma condição para o registro do bloco sadrista."
As eleições nas províncias iraquianas devem ser realizadas ainda em 2008.

Maliki assumiu o poder com a ajuda de Moqtada al-Sadr, mas rompeu com o clérigo xiita no ano passado.

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