Nick Clegg diz que dono da News Corp deve reavaliar negócio após escândalo de grampos do tabloide 'News of the World'

O vice primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Nick Clegg, fez um apelo nesta segunda-feira para que o magnata australiano Rupert Murdoch desista de comprar a BSKyb , subsidiária britânica da operadora de TV por assinatura Sky. A pressão para que Murdoch desista do negócio cresceu após o escândalo de escutas ilegais do tabloide "News of the World", que pertence ao grupo News Corporation., do qual é dono.

O magnata já é acionista minoritário da BSKyb, mas vinha negociando a compra de 100% das ações da empresa. Clegg disse que, por causa do escândalo, Murdoch deve "agir de forma decente e sensível" e reconsiderar o negócio.

O dono da News Corpo, Rupert Murdoch, deixa sua casa em Londres
AFP
O dono da News Corpo, Rupert Murdoch, deixa sua casa em Londres

O vice-premiê fez a declaração após um encontro com a família de Milly Dowler , uma menina de 13 anos vítima de assassinato que teve seu telefone grampeado pelo "News of the World" em 2002. Foi a maior autoridade britânica até agora a se posicionar contra a compra da BSKyb por Murdoch.

O secretário britânico da Cultura, Jeremy Hunt, responsável por lidar com a proposta de compra da subsidiária britânica, disse que iria procurar "aconselhamento" sobre o caso para definir se o escândalo impede que a News Corporation de Murdoch seja considerado um grupo "adequado" para ser dono da BSKyb.

Neste domingo, o líder do Partido Trabalhista (oposição), Ed Milliband, disse que vai pressionar o Parlamento britânico a tentar adiar a proposta de Murdoch até que as investigações sobre o News of the World sejam concluídas.

'Obrigado e adeus'

Murdoch foi à Grã-Bretanha no final de semana na tentativa de lidar com o escândalo de grampos. Na noite de domingo, ele saiu de uma reunião ao lado de Rebekah Brooks, executiva-sênior do grupo News International e ex-editora do "News of The World" entre 2000 e 2003. Apesar de pressões para a demissão de Brooks, Murdoch voltou a dizer que a apoia no cargo.

Também neste domingo, o "News of the World", existente há 168 anos, circulou sua última edição , com os dizeres “Obrigado e adeus” na capa. Dentro, um editorial dizia que o jornal havia "perdido seu caminho". A tiragem do jornal, o mais vendido da Grã-Bretanha aos domingos, foi quase dobrada, para 5 milhões de exemplares.  Uma federação de vendedores de jornais da Grã-Bretanha estimou que, ao meio-dia (horário local), as vendas do jornal eram 30% maiores em comparação com o domingo anterior.

Escândalo

O escândalo dos grampos telefônicos envolvendo o "News of the World" veio à tona pela primeira vez em 2006. Nesta semana, o caso ganhou ampla repercussão com a denúncia de que um detetive que trabalhava para o tabloide teria grampeado o telefone celular de Milly Dowler.

Logo após a revelação do caso Milly Dowler, os jornais britânicos revelaram, que, em busca de histórias exclusivas, o "News of the World" fez escuta nos celulares de familiares de soldados britânicos mortos no Afeganistão e de vítimas de casos policiais explorados pelo tabloide.

Parentes de vítimas dos atentados de julho de 2005 em Londres também teriam sido alvo dos grampos. Segundo o "Guardian", 3 mil pessoas foram vítimas de escutas ilegais. Entre os que teriam tido suas linhas violadas pelo News of the World estão celebridades, como o ator Hugh Grant e as atrizes Sienna Miller e Gwyneth Paltrow, esportistas e políticos.

Com BBC

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