Clegg estuda qual rival apoiar em governo

Liberal-democratas, em 3.º em eleição, são fiel da balança e devem definir se governo britânico será trabalhista ou conservador

iG São Paulo |

AFP
No centro das atenções: Líder do Partido Liberal Democrata, Nick Clegg, concede entrevista em Londres
O líder do Partido Liberal Democrata, Nick Clegg, começará no sábado as consultas com o seu partido enquanto avalia as propostas feitas nesta sexta-feira pelo líder do Partido Conservador, David Cameron, e pelo primeiro-ministro britânico, o trabalhista Gordon Brown, sobre a possibilidade de apoiar um futuro governo no Parlamento britânico.

Apesar de ter conquistado apenas 57 cadeiras (5 a menos do que nas eleições de 2005), os liberal-democratas converteram-se no fiel da balança de qualquer futuro governo depois que nenhuma das legendas conseguiu conquistar 326 das 650 cadeiras do Parlamento nas eleições de quinta-feira. O atual cenário de "hung Parliament" (Parlamento enforcado, em tradução livre), em que nenhum partido poderá legislar sem o apoio de outra legenda, não acontecia na Grã-Bretanha desde 1974.

No sábado Clegg iniciará as consultas com os novos parlamentares eleitos e com a cúpula executiva do partido. A expectativa é que ele primeiramente aborde a proposta feita por Cameron, cujo Partido Conservador, apesar de ter conquistado 98 cadeiras a mais do que na eleição passada (subiu de 209 para 307), ficou a 17 assentos de distância da maioria absoluta.

Com o objetivo de formar o primeiro governo conservador desde 1997, Cameron ofereceu um acordo aos liberal-democratas que prevê a possibilidade de cargos no gabinete ministerial e uma comissão multipartidária para avaliar uma reforma eleitoral. Durante a campanha, essa foi uma das principais reivindicações dos liberal-democratas, que criticam a distribuição de votos pelo atual sistema distrital britânico.

Em meio à turbulência dos mercados financeiros por causa da indefinição eleitoral, Cameron afirmou estar aberto a uma coalizão total com os liberal-democratas ou a um acordo formal no qual um governo de minoria "Torie" (como os conservadores são chamados) receberia garantias de apoio em votações específicas no Parlamento, como na tramitação do Orçamento.

Em seu primeiro discurso longo após as eleições, Cameron disse estar disposto a "ajudar os liberal-democratas a implementar partes do seu projeto", citando estímulos a uma "economia de baixo carbono". Ele também identificou como suas prioridades o combate do déficit econômico e a rápida formação de um governo "forte e estável". "Recebemos a pior herança de qualquer governo dos últimos 60 anos", afirmou o conservador.

Ao mesmo tempo, porém, Cameron advertiu que não faria concessões aos liberal-democratas em questões como cortes de gastos, Defesa, imigração, e maior abertura à União Europeia. Enquanto os conservadores defendem um distanciamento da Grã-Bretanha do bloco, os liberal-democrata querem mais participação.

As declarações foram feitas pouco depois de Clegg afirmar que, por terem vencido as eleições, os conservadores deveriam ter prioridade para tentar formar um governo . "Disse (durante a campanha eleitoral) que o partido que alcançasse o maior número de votos e cadeiras, ainda que não tivesse a maioria absoluta, seria o primeiro a ter o direito de tentar formar o governo, em minoria ou se aproximando de outros partidos, e sigo pensando o mesmo", afirmou em frente à sede de seu partido, em Londres.

Mas Clegg está em dúvida se aceita a proposta conservadora, já que Brown também tentou atrair seu apoio fazendo a proposta concreta de reformar o sistema eleitoral. O primeiro-ministro britânico também afirmou que seu partido tem interesses e propostas comuns com os liberal-democratas, principalmente nas áreas de economia e reforma política.

Apesar de seu Partido Trabalhista ter perdido 91 cadeiras em relação à votação de 2005 (caiu de 349 para as atuais 258), a tradição britânica garante a Brown manter-se no cargo de primeiro-ministro enquanto não for definido um governo e tentar montar uma coalizão para manter-se no poder .

*Com BBC e jornal britânico Guardian

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