Clara Rojas relata angústia de não ver o filho por 3 anos

Roma, 15 mar (EFE).- A advogada colombiana Clara Rojas, ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), declara que a angústia de não ver o filho, nascido em cativeiro, durante três anos foi enorme, em entrevista concedida à Agência Efe.

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Após quase seis anos nas mãos das Farc, Clara Rojas, de 45 anos, finalizou o livro de sua vida em cativeiro, cujo título não quer revelar, mas adianta que será publicado em abril.

A advogada foi sequestrada em 23 de fevereiro de 2002 junto com a franco-colombiana Ingrid Betancourt 600 quilômetros ao sul de Bogotá, e reconhece que, quando os guerrilheiros levavam a colega e ela perguntou: "para onde a estão levando?", eles interpretaram que queria acompanhá-la e a obrigaram a ir com eles.

Com Betancourt, "convivi um tempo" e "digamos que houve muitas coisas (...), mas não vou viver de pesares (...) e, se em algum momento houve algo, tentarei superar".

Agora, Rojas convive com o filho Emmanuel, de 5 anos, que concebeu em uma relação consentida com um guerrilheiro, a quem prefere não identificar.

Nos dois últimos meses de gravidez, "fui separada do grupo", disse, acrescentando que "os que cuidaram de mim foram os próprios guerrilheiros".

Rojas deu à luz na selva em 16 de abril de 2004 através de um parto feito com uma faca, e os guerrilheiros "deram todo seu esforço para me ajudar. Fiquei consciente até o último momento em que me deram anestesia, porque a dor era muito forte", diz.

Quando viu o filho "tão indefeso, tão sozinho", teve que se superar, "porque você tem que estar bem para levar adiante", disse.

Devido às condições em que vivia, a criança contraiu "leishmaniose", uma doença infecciosa, e para combatê-la era preciso administrar um remédio fora da selva.

Rojas foi informada de que teria que se separar do filho por 15 dias e ela aceitou imediatamente, mas pediu que "o levassem à Cruz Vermelha Internacional e que, através dela, o entregassem a minha mãe".

"Nunca me disseram nada e só pude vê-lo quando me libertaram", explica.

Os três anos sem o filho foram um "processo duríssimo". Segundo Rojas, se alguém perde "uma criança dois minutos e fica com a angústia do século, imagine três anos sem saber sequer onde estava.

A angústia foi enorme".

Após ser libertada, em 10 de janeiro de 2008, Rojas fez exames de DNA e reencontrou Emmanuel, que estava no Instituto de Bem-estar Familiar da Colômbia, centro que iniciou o processo de readaptação da criança.

Perguntada sobre se algum dia explicará ao filho o ocorrido, respondeu: "ele é muito consciente de que a mãe é sua mamãe e seu pai, e que essa é sua vida".

Rojas não se ressentiu nem física nem aparentemente psicologicamente de seu cativeiro. Desde o momento em que entendeu que estava sequestrada, fez tudo o possível para sobreviver.

"Fazia exercícios, levantava cedo, limpava a área onde estávamos (..). Isso me permitiu não só manter a esperança, mas manter a auto-estima", mas ela disse que sofreu muito.

No entanto, Rojas não considera que os guerrilheiros das Farc sejam terroristas.

"Percebi que são seres humanos, que sofrem, que são vulneráveis.

A única coisa que se precisa é pensar em estratégias para que as Farc entendam que o sequestro é uma atitude que não lhes convém, nem a eles nem à humanidade em seu conjunto", disse. EFE cps/an

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