Paris, 15 abr (EFE).- A ex-candidata à Vice-Presidência da Colômbia na chapa de Ingrid Betancourt, Clara Rojas atacou a ex-amiga e companheira de cativeiro das Farc por seis anos, em entrevista à edição mais recente da revista francesa Paris Match, acusando-a de frieza e intolerância.

"Ingrid não sabe administrar conflitos nem admitir as diferenças.

É incapaz de aceitar que existem sensibilidades distintas à dela (...) sem "ferir ou humilhar", afirmou Clara, acrescentando que elas foram se distanciando aos poucos, até o ponto em que mal se cumprimentavam.

Segundo ela, era "absurdo e insuportável" que os próprios sequestradores tivessem que intervir em certas ocasiões para lembrá-las de que eram duas reféns e tinham que ser solidárias uma com a outra.

Clara Rojas lembra que precisou pedir, separadamente, que os membros das Farc impedissem Ingrid de lhe "roubar tudo", como fez com um dicionário.

Ela também cita a reação que teve sua companheira quando lhe disse que estava grávida e foi respondida com um lacônico "bem vinda ao clube".

"Ainda hoje não entendo sua atitude (...) tínhamos sido boas amigas e sempre me interessei por seus filhos", conta Clara Rojas, acrescentando que nesse momento se deu conta de que estava totalmente só e assim continuaria durante toda a gravidez.

Na entrevista, ataca também a família de Betancourt, que acusa de tentar monopolizar as atenções, ignorando os demais.

"Sempre agiram como se fossem os únicos atores desta história, com ciúmes, às vezes, excessivos, e continuam agindo".

Como prova, ela revela que no mesmo dia do sequestro, os guerrilheiros pediram a ambas que informassem do ocorrido a suas famílias em uma única folha de papel e que a família Betancourt ficou com o texto, transmitindo a informação aos parentes de Clara somente vários meses depois.

O mesmo ocorreu com a primeira gravação de vídeo na qual mostravam que estavam vivas.

"Não tenho ressentimento, mas é uma questão de humanidade.

Tiveram uma atitude muito cruel", acrescenta.

Clara Rojas relata estes e outros episódios em "Cativa", o livro que acaba de publicar sobre o sequestro, no qual inclui um capítulo dedicado à sua relação com Betancourt e intitulado "Desencontro".

EFE pi/jp

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