Um programa da BBC mostrou imagens de uma operação no cérebro realizada em um hospital de Londres com o paciente completamente acordado. A florista Kathryn Proctor, de 28 anos, não apenas concordou com a filmagem da cirurgia para a remoção de um cavernoma, ou angioma cavernoso, filmada, como se mostrou entusiasmada com a idéia.

"Quero sentar e assistir com as minhas amigas depois", afirmou.

O cavernoma, uma anomalia em uma das veias do cérebro de Kathryn, estava provocando ataques epilépticos e poderia causar hemorragia.

Kathryn sabia que a operação seria complexa e arriscada. Os riscos incluíam sangramento pesado e dano acidental a partes do cérebro mesmo após que o cavernoma é retirado. Por isso, ela teve de ser operada acordada.

A cirurgia, que foi ao ar nesta semana, foi realizada no National Hospital for Neurology and Neurosurgery pelo neurocirurgião Andrew McEvoy.

A equipe médica realizou a operação com o sistema Stealth, guiado por computador. O programa permite que os médicos localizem exatamente a localização do cavernoma.

"Há uma parte do cérebro responsável pela obsessão com o futebol? E é possível removê-la?", perguntou Kathryn durante a operação.

"Sim", respondeu McEvoy. "Mas não é possível removê-la do cérebro de meninos sem matá-los", completou.

Há cem anos, o cérebro era considerado muito complexo e, por isso, uma operação no órgão, muito arriscada.

Um dos principais problemas era o alto risco de que os pacientes sangrassem até à morte na mesa de operações.

'Complexo'
O cérebro tem mais de 600 km de vasos sangüíneos e usa quase um litro de sangue a cada minuto. Antes, um só corte poderia levar a uma hemorragia fatal.

O cirurgião que mudou essa realidade foi o americano Harvey Cushing. No início do século 20, ele introduziu uma série de técnicas que reduziram a taxa de mortalidade de mais de 70% para menos de 10%.

Algumas delas, como grampos e pregadores, foram usadas por McEvoy, que com muito cuidado abria a cabeça de Kathryn, combinando também técnicas terapêuticas mais modernas.

A operação toda durou pouco mais de três horas. E Kathryn teve uma recuperação completa.

A história foi exibida no programa Blood and Guts: A History of Surgery, que começou a ser transmitido pelo canal 4 da BBC no dia 20 de agosto.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.