Cinema latino-americano volta a conquistar prêmios no Festival de Berlim

Berlim, 20 fev (EFE).- O cinema latino-americano deixou sua marca no 60º Festival de Berlim com a co-produção britânico-brasileira Lixo Extraordinário e o estreante colombiano Oscar Ruiz de Navia, vencedor do prêmio da crítica internacional com El Vuelco del Cangrejo.

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Entretanto, o argentino "Rompecabezas", único representante latino-americano na mostra competitiva, voltou da Alemanha de mãos vazias.

Dirigido por Lucy Walker, "Lixo Extraordinário" foi exibido na mostra Panorama e ganhou os prêmios da Anistia Internacional (junto com a produção palestino-egípcia "Son of Babylon") e o do público dessa seção do festival.

Com 99 minutos de duração, o filme mostra um trabalho que o artista plástico Vik Muniz desenvolveu com catadores de lixo do Jardim Gramacho, bairro do município fluminense de Duque de Caxias.

Após receber o prêmio da AI, Walker disse à Agência Efe que os catadores de lixo são pessoas "dignas, valentes e inspiradoras" e afirmou se sentir "muito feliz" pelo fato de que o prêmio vai permitir que mais espectadores os conheçam.

Segundo a cineasta, é uma "honra" que seu documentário, premiado no último festival de Sundance, sirva para explicar "ao mundo" a vida dessas pessoas.

Já o colombiano Ruiz de Navia, de 27 anos, recebeu o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci), por "El Vuelco del Cangrejo", projetado na mostra Forum.

A fita narra o dia a dia de La Barra, cidade litorânea colombiana à qual chega um jovem com a esperança de obter uma passagem de navio que o tire do país.

Ruiz de Navia dedicou o prêmio "a toda a comunidade de La Barra".

"Espero que isto nos ajude a distribuir o filme e impulsione a difusão de todo o cinema colombiano na Europa", acrescentou o diretor, que trabalhou cinco anos no projeto, em declarações à Efe.

Por outro lado, a estreante argentina Natalia Smirnoff, única latino-americana na mostra competitiva, não teve sucesso com "Rompecabezas", que vinha apoiada no trabalho de atriz de María Onetto.

Com isso, foi quebrada a boa sequência do cinema latino-americano, em geral, e do argentino, em particular, no festival da capital alemã.

Em 2008, o Urso de Ouro foi para "Tropa de Elite", do brasileiro José Padilha, enquanto em 2009 o prêmio máximo ficou com "A Teta Assustada", da peruana Claudia Llosa.

No caso argentino, a maré de sorte no Festival de Berlim começou em 2001, quando "O Pântano", de Lucrecia Martel, levou o prêmio de melhor estreia.

Em 2004, "O Abraço Partido", de Daniel Burman, ganhou o Grande Prêmio do Júri e o Urso de Prata de melhor ator (Daniel Hendler).

Dois anos depois, "O Guardião", de Rodrigo Moreno, ficou com o prêmio Alfred Bauer. No seguinte, foi a vez de "El Otro", de Ariel Rotter, que ganhou o Grande Prêmio do Júri e o Urso de Prata de Melhor Ator (Julio Chávez).

Em 2009, o argentino Adrián Biniez ganhou o Grande Prêmio do Júri, o de melhor estreia e o Alfred Bauer com "Gigante", rodado no Uruguai. EFE gc-nvm/bba

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